segunda, 5 de outubro de 2026

Justiça mantém prisão de entregadores envolvidos no espancamento mortal de ciclista

A Justiça do Rio de Janeiro manteve, em audiência de custódia realizada no último domingo (23), a prisão temporária dos entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, e Ailton José da Silva, de 24 anos. A dupla é acusada de participação no espancamento que resultou na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, atacado na Zona Sul carioca após ser erroneamente confundido com um ladrão de bicicletas.

Os magistrados que presidiram as sessões confirmaram a legalidade e a validade dos mandados expedidos pela 1ª Vara Criminal da Capital, determinando que os investigados permaneçam detidos durante o processo. A decisão segue o mesmo entendimento adotado no sábado (22) para os seguranças de rua Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, que também tiveram suas prisões temporárias mantidas por envolvimento no crime.

O ataque ocorreu na madrugada do dia 12 de agosto, quando a vítima saiu de casa, em Botafogo, pedalando a bicicleta de sua irmã. Ao parar em uma loja de conveniência na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, Cláudio foi abordado pelo segurança Davi Machado, que trazia um porrete nas mãos. Por enfrentar transtornos psicológicos, o ciclista não conseguiu explicar a tempo que o veículo pertencia à sua família ao ser questionado sobre a propriedade da bicicleta, que acabou tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz.

Tentando se afastar da abordagem, o homem caminhou até a portaria de um edifício na Rua Felipe de Oliveira, onde acabou encurralado por Davi e pelos dois entregadores. Imagens de câmeras de segurança registraram seis minutos de agressões contínuas, durante os quais a vítima sofreu 57 golpes de paulada, concentrados na cabeça, além de diversos chutes. Cláudio foi abandonado gravemente ferido no local, chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Miguel Couto, mas não resistiu aos traumas sofridos.

Em depoimento prestado às autoridades, o segurança responsável pelas pauladas admitiu que não tinha certeza se a bicicleta era fruto de roubo e não soube justificar a extrema violência empregada. Ele e um dos entregadores ainda usaram telefones celulares para filmar a vítima agonizando no chão. A Polícia Civil trabalha agora para identificar um quinto suspeito que aparece nas imagens desferindo golpes contra o ciclista. Todos os envolvidos responderão por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Notícias relacionadas