

A Justiça de São Paulo condenou um homem de 27 anos, natural de Fernandópolis, pelo crime de estelionato sentimental contra sua ex-namorada. A decisão, tomada pela Primeira Vara Criminal de Caraguatatuba e divulgada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de São Paulo, envolve um caso que ganhou atenção em todo o país e ficou conhecido nacionalmente como o “Golpe do Amor”.

O réu, identificado como Matheus Rodelo Monteiro Machado, recebeu uma pena de dois anos e seis meses de prisão em regime inicial semiaberto. Como a sentença foi dada em primeira instância, a Justiça permitiu que ele recorra da decisão em liberdade. De acordo com as investigações do processo, Matheus namorou uma arquiteta de 31 anos por cerca de dez meses. Durante o namoro, ele fingia ser um investidor muito bem-sucedido no ramo de moedas digitais, as criptomoedas, e ostentava luxo para ganhar a confiança e o afeto da parceira.
A denúncia aponta que, assim que o namoro ficou firme, o acusado convenceu a arquiteta a fazer vários empréstimos e transferências de dinheiro para a conta dele, usando a promessa de que eles estavam investindo no futuro do casal. Ao todo, o prejuízo da vítima passou dos 104 mil reais. Na decisão, o magistrado responsável pelo caso frisou que o homem se aproveitou deliberadamente dos sentimentos da namorada para criar uma mentira sobre sua situação financeira e conseguir os repasses de dinheiro.
Este caso específico estourou na mídia após uma reportagem exibir que outras mulheres, de estados diferentes, relatavam ter sido vítimas do mesmo comportamento por parte de Matheus. Diante dos riscos e das investigações, ele chegou a ser preso de forma preventiva na cidade de Santos em outubro de 2025. Na época, o jovem se defendeu dizendo que nunca cometeu crime e que todo o dinheiro recebido foi dado de forma voluntária pela ex, argumento que foi totalmente descartado pelo juiz.
Matheus também havia sido denunciado pelo crime de ameaça, mas acabou absolvido dessa acusação específica. A defesa do condenado já adiantou que vai entrar com recurso contra a condenação. Vale destacar que o chamado estelionato sentimental é reconhecido por lei como uma forma de violência psicológica e patrimonial dentro da Lei Maria da Penha. Procurada pela reportagem da Folha, a advogada de Matheus limitou-se a dizer que o caso corre em segredo de Justiça e que já pediu acesso aos documentos para trabalhar na defesa de seu cliente.







