segunda, 6 de abril de 2026

Justiça acusa homem de comercializar a própria esposa para centenas de abusos

O Ministério Público da Suécia apresentou, nesta segunda-feira (30), uma denúncia formal contra um homem de aproximadamente 60 anos acusado de explorar sexualmente a própria esposa durante três anos. Segundo a acusação, o suspeito teria vendido serviços sexuais da mulher para mais de 120 homens em centenas de ocasiões diferentes. O indivíduo, que reside na região de Ångermanland, no norte do país, está detido desde outubro do ano passado, após a própria vítima denunciá-lo em meio a um processo de divórcio. Ele agora responde por crimes graves de proxenetismo, estupros, ameaças e abusos físicos.

As investigações revelaram um esquema meticuloso de controle e violência. O homem era responsável por publicar anúncios na internet, agendar os encontros, definir quais atos seriam realizados e estipular os valores e formas de pagamento. Além dos encontros presenciais, alguns abusos ocorriam de forma digital e eram filmados pelo agressor. Para garantir o controle sobre a esposa, o suspeito instalou câmeras por toda a residência e a dopava com substâncias que a levaram a desenvolver uma dependência química. A promotoria destaca que ele se autointitulava “o monstro” e proferia ameaças de morte cruéis, afirmando que a queimaria viva ou mutilaria seu corpo.

O perfil do acusado aponta para um histórico de violência e ligações com grupos criminosos, incluindo uma antiga associação com a gangue de motociclistas Hell’s Angels. Ele já possui condenações anteriores por maus-tratos e coerção, tendo cumprido pena de prisão no passado. Embora o homem negue todas as acusações atuais, o Ministério Público ressaltou que ele já havia sido investigado por abusos contra a mulher há dois anos, mas o caso acabou arquivado na época por falta de continuidade.

A gravidade do episódio gerou forte repercussão na Europa, sendo comparado ao caso da francesa Gisèle Pelicot, cujo marido foi recentemente condenado por drogar e oferecer a esposa para dezenas de desconhecidos. O julgamento do sueco está previsto para começar no próximo dia 13 de abril. As autoridades agora trabalham para identificar os homens que contrataram os serviços, enquanto a vítima recebe acompanhamento especializado para lidar com os traumas físicos e psicológicos resultantes do longo período de exploração.

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