sexta, 10 de julho de 2026

Justiça aceita denúncia do MP e ex-bispo de Catanduva vira réu por importunação sexual contra padre

O ex-bispo de Catanduva, Valdir Mamede, tornou-se réu em um processo criminal após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. A decisão judicial foi tomada na última terça-feira, dia 30 de junho, e coloca o líder religioso no centro de uma acusação grave de abusos sexuais e importunação contra um padre da região, que teriam ocorrido de forma continuada entre os anos de 2019 e 2023. O Ministério Público afirma que o ex-bispo se aproveitou de sua posição de autoridade máxima e da forte influência religiosa para constranger a vítima e praticar atos libidinosos sem o consentimento dela.

De acordo com as investigações da Promotoria, os abusos ocorreram de forma repetida ao longo de quase cinco anos, período em que Valdir Mamede chefiava o Bispado de Catanduva e a vítima atuava como padre na paróquia da cidade de Ibirá, que é subordinada àquela diocese. O Ministério Público detalhou quatro episódios principais que baseiam a acusação. No primeiro deles, o ex-bispo usava o controle hierárquico e fazia ameaças veladas de punições da Igreja, como transferir o padre de paróquia ou impedi-lo de celebrar missas, para forçá-lo a fazer as suas vontades. Em outras ocasiões, o réu pedia para que o padre depilasse o seu corpo com uma máquina de barbear como pretexto para ficar nu e assediá-lo, fato que foi reforçado por mensagens de texto divulgadas anteriormente. A denúncia também aponta que o ex-bispo fazia chamadas de vídeo em que se masturbava diante da câmera e, em um episódio mais grave, chegou a ir até a casa do padre aparentando estar embriagado, onde deitou-se na cama e praticou atos sexuais.

Após essa última investida, o padre recolheu o material biológico deixado no lençol da cama e o enviou para uma perícia técnica, cujo laudo confirmou a presença de material genético masculino. O promotor responsável pelo caso, Caíque Ducatti, explicou que o conjunto de provas mostra que o acusado usou o poder de liderança para manter o subordinado em uma situação de extrema fragilidade psicológica. Devido ao forte abalo emocional provocado pelas pressões e perseguições, o padre precisou de licença médica e continua afastado de suas funções na Igreja. A Promotoria também revelou que existem depoimentos apontando que o ex-bispo teria tido comportamentos semelhantes com outros seminaristas. Valdir Mamede chegou a renunciar ao cargo em novembro de 2023, sem dar explicações públicas sobre o motivo de sua saída.

A ação penal agora corre na 2ª Vara Criminal de Catanduva e tramita em segredo de Justiça para proteger a privacidade dos envolvidos. O caso entra agora na fase em que o juiz ouvirá a vítima, as testemunhas e o próprio acusado antes de proferir a sentença final. Além da punição criminal, o Ministério Público pede que o ex-bispo pague uma indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais ao padre. Para garantir a segurança das pessoas que vão depor, a Promotoria solicitou medidas de proteção urgentes, exigindo que o réu entregue o passaporte e fique totalmente proibido de frequentar a Diocese de Catanduva, de ir até a paróquia de Ibirá, de tentar qualquer contato ou aproximação com a vítima e de falar publicamente sobre os fatos ou citar o nome do padre denunciante.

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