sexta, 9 de outubro de 2026

Juros altos e dívidas voltam a apertar o bolso das famílias no Brasil

As famílias brasileiras sentiram um peso ainda maior no orçamento durante o mês de agosto. O custo dos empréstimos subiu, o volume de dívidas acumuladas cresceu e a quantidade de pessoas com pagamentos atrasados voltou a avançar. As informações constam no balanço sobre o cenário financeiro do país divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central.

A taxa média de juros cobrada das pessoas físicas em modalidades de crédito livre saltou para 61,7% ao ano, impulsionada de forma expressiva pelas cobranças no cartão de crédito, tanto na opção parcelada quanto no rotativo — aquela acionada quando o consumidor não quita o valor integral da fatura.

Mesmo diante de cobranças mais elevadas, os brasileiros continuaram contratando empréstimos. O volume financeiro concedido à população atingiu a marca de R$ 2,6 trilhões, impulsionado pela procura por financiamentos de veículos, uso do cartão e pelo crédito consignado voltado a trabalhadores do setor privado.

O reflexo desse movimento aparece diretamente na saúde financeira do consumidor. Praticamente metade do orçamento familiar hoje está comprometido com algum tipo de pendência financeira, enquanto cerca de 28,7% dos rendimentos mensais são destinados exclusivamente para amortizar dívidas existentes. Com o orçamento apertado, o calote entre pessoas físicas também subiu, alcançando a taxa de 6%.

Em contrapartida, o cenário se mostrou um pouco mais favorável para o setor empresarial. As taxas médias de juros cobradas de empresas registraram queda, recuando para 24,2% ao ano no mês. Essa redução foi impulsionada pela diminuição dos custos no rotativo do cartão corporativo e em linhas voltadas ao capital de giro. No entanto, ao contrário das pessoas físicas, as companhias reduziram o volume total de novos empréstimos contratados no período.

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