

Com o lema “A liberdade não tem prazo de validade”, a campanha Junho Violeta deste ano quer chamar a atenção da sociedade para um problema grave e muitas vezes silencioso: os maus-tratos praticados contra a população idosa. A iniciativa busca ensinar as pessoas a reconhecerem os diferentes tipos de agressão e, principalmente, incentivar familiares, vizinhos e as próprias vítimas a quebrarem o silêncio e denunciarem os abusos.

Os dados mais recentes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania revelam um cenário preocupante. Entre janeiro de 2024 e abril de 2026, o canal Disque 100 recebeu mais de 1,6 milhão de chamados relatando algum tipo de violação contra idosos. A situação parece estar piorando neste ano, já que, apenas nos primeiros quatro meses de 2026, foram registradas quase 250 mil denúncias — um salto de quase 19% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o número ficou em 209 mil. Apesar do aumento nas estatísticas, o governo alerta que a realidade pode ser ainda pior, pois muitas vítimas deixam de buscar ajuda por medo de sofrerem castigos ou retaliações dentro de casa.
A violência contra a terceira idade se manifesta de várias maneiras e vai muito além da agressão física. De acordo com especialistas da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, os criminosos também praticam violência psicológica, abuso sexual, abandono e o crime financeiro, que acontece quando o idoso é roubado ou impedido de usar o próprio dinheiro. Dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos apontam que as principais vítimas são mulheres com idade entre 70 e 74 anos, e os suspeitos mais frequentes são os próprios integrantes da família, que deveriam garantir a proteção delas.


A legislação do país pune severamente quem comete esse tipo de atrocidade. Quem desrespeita o Estatuto do Idoso pode responder a processos civis e criminais, com penas que incluem multas e prisão, dependendo da gravidade do caso. Os castigos não são aplicados apenas a pessoas físicas: as casas de repouso e as chamadas instituições de longa permanência que maltratarem os idosos também sofrem duras sanções, que vão desde multas pesadas e demissão de diretores até o fechamento definitivo do estabelecimento.
As autoridades reforçam que qualquer pessoa que presenciar ou suspeitar de um caso de maus-tratos deve agir. O principal canal de socorro é o Disque 100, um serviço gratuito que funciona todos os dias da semana, durante 24 horas, e garante o anonimato de quem liga. Além dele, as denúncias podem ser feitas diretamente em delegacias de polícia, no Ministério Público ou nos centros de assistência social das prefeituras, os chamados Cras e Creas.







