segunda, 13 de abril de 2026

Jovem que matou assassino da mãe deve se entregar à polícia em Frutal

Um jovem de 19 anos, suspeito de assassinar o homem que tirou a vida de sua mãe há quase uma década, deve se apresentar à Polícia Civil de Frutal (MG) nesta segunda-feira (6). A defesa do rapaz, composta pelos advogados José Rodrigo de Almeida e Isabella Kathrine Vieira do Carmo, confirmou que ele pretende colaborar com as investigações e apresentar sua versão dos fatos. O alvo do crime, Rafael Garcia Pedroso, de 31 anos, foi morto a tiros na última terça-feira (31) enquanto aguardava em uma praça em frente a uma unidade de saúde no bairro Vila Esperança.

O histórico que une autor e vítima é marcado por uma tragédia familiar ocorrida em julho de 2016. Na época, Rafael matou a então companheira, mãe do jovem, com 20 facadas durante uma festa da cidade. O crime, motivado por ciúmes, foi presenciado pelo filho da mulher, que tinha apenas 8 anos na ocasião. Segundo a defesa, o jovem confessa ter efetuado os disparos contra Rafael movido por uma “violenta emoção”, carregada pelo trauma de ter testemunhado o assassinato da mãe ainda na infância. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o suspeito se aproximou da vítima e efetuou cinco disparos antes de fugir em uma motocicleta.

Rafael Garcia havia sido condenado inicialmente a 22 anos de prisão pelo feminicídio, mas o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais devido a falhas técnicas. Em janeiro de 2026, ele obteve o benefício da prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica, devido à falta de vagas no sistema prisional. A soltura de Rafael e o subsequente crime cometido pelo filho da vítima reacenderam o debate na cidade sobre justiça e o impacto psicológico de crimes violentos em crianças que os presenciam.

De acordo com os advogados de defesa, o jovem fez apenas uma exigência para se entregar: o acompanhamento de um psicólogo antes do depoimento, visando lidar com a carga emocional do caso. O delegado responsável, Fabrício Altemar, já solicitou a prisão temporária do investigado à Justiça, mas o pedido ainda aguarda decisão judicial. Enquanto isso, a defesa sustenta que o caso possui uma complexidade humana extrema, enraizada em um ciclo de violência que começou dez anos atrás e que agora atinge um novo e trágico desfecho.

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