domingo, 5 de julho de 2026

Jogos do Brasil na Copa provocam altos e baixos no consumo de energia

Quando a Seleção Brasileira entra em campo na Copa do Mundo, o comportamento dos torcedores altera diretamente a rotina do país, provocando um fenômeno curioso: uma queda expressiva no consumo de energia elétrica. Na última quarta-feira, dia 24 de junho, no momento em que a equipe iniciou a partida contra a Escócia, realizada em Miami, nos Estados Unidos, a demanda por eletricidade despencou em todo o território nacional. Os dados foram registrados em tempo real pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável por coordenar a geração e a transmissão de energia no Brasil sob a fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

De acordo com o monitoramento do órgão, a demanda nacional estava na casa dos 90 mil megawatts (MW) no início do jogo, às 19h. Até o encerramento do primeiro tempo, o consumo caiu mais de 9 mil MW, uma redução tão grande que equivale a desligar simultaneamente toda a carga média utilizada pelos estados do Rio de Janeiro e do Pará. O ONS explica que essa movimentação faz parte de uma operação especial montada para a Copa do Mundo, desenhada justamente para acompanhar as chamadas “rampas de carga” — nome técnico dado às subidas e descidas repentinas no uso de energia provocadas pela mobilização da população em torno da TV.

O comportamento dos brasileiros seguiu um padrão claro ao longo do confronto. Antes mesmo do juiz apitar o início, o consumo já dava sinais de queda. No entanto, a grande surpresa aconteceu no intervalo: assim que o primeiro tempo acabou, o consumo disparou 5,6 mil MW em apenas nove minutos, o equivalente à carga somada de Santa Catarina e Mato Grosso. Esse salto rápido foi classificado pelo ONS como a maior elevação de carga registrada em intervalos de jogos do Brasil considerando as últimas três edições da Copa do Mundo. Com o reinício da partida, a exigência do sistema caiu novamente, atingindo o ponto mais baixo da noite minutos antes do apito final.

Assim que a vitória por 3 a 0 foi consolidada, garantindo a liderança do grupo para o Brasil, os torcedores voltaram a ligar aparelhos e retomar suas atividades, fazendo o consumo subir mais de 8,5 mil MW em menos de vinte minutos. O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destacou que coordenar um sistema elétrico de proporções continentais exige planejamento ágil, já que eventos de grande audiência mexem diretamente com a operação. O planejamento agora se volta para a próxima segunda-feira, quando o Brasil enfrenta o Japão às 14h, prometendo movimentar mais uma vez a rede elétrica nacional.

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