

O governo do Irã executou, nesta segunda-feira, o ativista Erfan Shakourzadeh, de 29 anos, sob a acusação de atuar como espião para a CIA, dos Estados Unidos, e para o Mossad, o serviço secreto de Israel. Shakourzadeh, que era estudante de pós-graduação em Engenharia Aeroespacial, foi morto por enforcamento. Segundo informações divulgadas pela agência de notícias Tasnim, ligada ao regime iraniano, o jovem teria vendido informações científicas sigilosas do país a agências de inteligência estrangeiras.

As autoridades iranianas afirmam que o recrutamento do estudante começou por meio de contatos por e-mail, nos quais ele teria fornecido dados pessoais, detalhes sobre seu local de trabalho e informações sobre as missões organizacionais que desempenhava. Por outro lado, organizações de defesa dos direitos humanos, como a Iran Human Rights, já haviam alertado para o risco da execução do jovem, questionando a falta de transparência nos processos judiciais do país, especialmente em casos que envolvem acusações de segurança nacional.
A execução ocorre em um momento de extrema tensão internacional, logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificar como inaceitável a resposta do Irã a uma proposta de paz, o que diminui as chances de um acordo diplomático. Desde o início de um novo conflito bélico na região, em fevereiro deste ano, o Irã intensificou a aplicação da pena de morte, focando principalmente em pessoas acusadas de ligação com Israel ou em participantes de protestos políticos.
De acordo com dados das Nações Unidas, o número de execuções e prisões políticas no Irã cresceu drasticamente nos últimos meses. Relatórios de organizações internacionais apontam que o país vive um dos seus períodos mais violentos em décadas no que diz respeito à pena de morte; somente em 2025, o número de enforcamentos subiu quase 70% em comparação ao ano anterior. O caso de Shakourzadeh reforça o cenário de isolamento diplomático e endurecimento do regime iraniano diante de pressões externas e crises internas.







