


Uma investigação conduzida pela organização não governamental Mercy For Animals (MFA) reacendeu o debate sobre o bem-estar animal na pecuária ao documentar a trituração de pintinhos machos recém-nascidos em um incubatório de grande porte no Sul do país. A estimativa da entidade aponta que cerca de 35 mil animais com menos de 24 horas de vida foram mortos em um único dia na unidade. O descarte ocorre porque os machos da linhagem de postura não põem ovos e não possuem o ganho de peso desejado para a comercialização de carne, sendo separados das fêmeas e direcionados a lâminas rotativas logo após o nascimento.

Segundo especialistas da organização, o objetivo da divulgação não é pontuar uma infração isolada, mas expor uma conduta padrão aplicada em larga escala pela avicultura comercial. A entidade alerta que os animais possuem sistema nervoso desenvolvido e plena capacidade de sentir dor e medo, ressaltando ainda que as máquinas nem sempre provocam a morte imediata, o que prolonga o sofrimento dos pintinhos. Além dos machos, fêmeas que apresentam anomalias, deformidades ou que excedem a demanda dos criadores também são submetidas ao mesmo processo de eliminação.
Como alternativa ao descarte mecânico, entidades do setor defendem a adoção da sexagem in ovo, tecnologia capaz de identificar o sexo do embrião ainda durante a fase de incubação. O método permite a retirada dos ovos masculinos antes da eclosão, evitando o nascimento e posterior abate das aves. A inovação já é regulamentada e aplicada em países da União Europeia, como Alemanha, França e Itália, que proibiram a trituração por força de lei. No Brasil, o equipamento pioneiro começou a operar em 2025 no município de Nova Granada, no interior de São Paulo, visando atender a demandas de produtores sustentáveis.



Embora a implementação da tecnologia represente um custo adicional inicial por ave no incubatório, estudos apontam que o impacto financeiro diluído ao longo do ciclo de postura equivale a um acréscimo de poucos centavos por dúzia de ovos no varejo. A mudança encontra respaldo na opinião pública, visto que pesquisas de mercado indicam ampla rejeição dos consumidores ao abate de recém-nascidos e disposição para pagar pela diferença no produto final. A Mercy For Animals informou que acionará o Ministério Público para avaliar a prática, enquanto projetos de lei sobre o tema avançam em discussão no Congresso Nacional.








