quinta, 9 de julho de 2026

Investigação revela reviravolta e aponta que menino morto após aniversário em Votuporanga sofria espancamentos

Uma investigação da Polícia Civil de Votuporanga trouxe à tona uma trágica reviravolta sobre a morte de Nicolas Souza Prado, de apenas 6 anos, ocorrida após sua festa de aniversário em outubro de 2023. O caso, que inicialmente havia sido registrado como um acidente doméstico em um brinquedo pula-pula de um buffet infantil, teve o inquérito concluído e revelou que o garoto, na verdade, era vítima de agressões físicas em série. O relatório final da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apontou que a versão apresentada pela família na época é totalmente incompatível com a gravidade e a quantidade de lesões descobertas no corpo do menino pelos peritos e médicos.

Na época do ocorrido, Nicolas foi levado pela mãe a um hospital particular após uma suposta queda, onde foi tratado por uma lesão no braço e liberado. Nos dias seguintes, devido à persistência de febre e fortes dores, ele retornou ao hospital levado pelo pai. Exames detalhados de tomografia revelaram um cenário alarmante: o menino estava com quatro costelas fraturadas, duas trincadas e o osso do peito quebrado. Essas lesões internas graves acabaram perfurando um de seus pulmões e gerando acúmulo de líquido no tórax. A criança passou por uma cirurgia de emergência, mas o quadro clínico piorou e ela não resistiu após sofrer paradas cardiorrespiratórias.

O laudo da necrópsia e o histórico de atendimentos médicos foram fundamentais para desmentir a história do acidente. Os exames constataram traumatismos graves e recentes, além de diversos hematomas e cicatrizes em diferentes fases de cicatrização por todo o corpo. Para os investigadores, essas marcas antigas e novas comprovam que o menino sofria episódios sucessivos de tortura e espancamento ao longo do tempo, tendo suportado dias de intensa agonia antes de falecer. O setor de investigações passou mais de dois anos ouvindo testemunhas, vizinhos e analisando a dinâmica do ambiente onde o garoto morava para concluir que as lesões fatais foram causadas pela violência doméstica.

Nicolas vivia com a mãe e o padrasto, que figuram como os principais suspeitos do crime e atualmente respondem ao processo em liberdade. A Polícia Civil tipificou o caso como homicídio qualificado e maus-tratos, concluindo o relatório sem apontar formalmente os nomes dos indiciados para que o Ministério Público de São Paulo tenha total autonomia para definir a acusação exata. Os documentos e o conjunto de provas já foram encaminhados aos promotores de Justiça, que decidirão os próximos passos para oferecer a denúncia formal e levar os responsáveis a julgamento no Tribunal do Júri.

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