

A prisão de um homem em uma pousada de Goiânia, ocorrida na última quarta-feira (25), trouxe à tona detalhes sobre a estratégia utilizada por ele para manter o próprio filho, de nove anos, em cárcere privado por mais de dois anos. Segundo as investigações da Polícia Civil, o suspeito tentou obter a guarda unilateral da criança acusando a mãe de agressão. Ele alegava que uma tatuagem de henna, feita durante férias na Bahia em 2023, teria causado uma queimadura de segundo grau no menino. No entanto, a Justiça não aceitou a denúncia e determinou que a guarda permanecesse com a mãe, ordem que o pai descumpriu ao fugir com o menor em dezembro daquele ano.

A mãe da criança relatou que o ex-companheiro tinha livre acesso ao filho e participava normalmente da rotina escolar antes do sequestro. Ela acredita que a motivação do crime foi a dificuldade do homem em aceitar o fim do relacionamento. Durante o período em que estiveram desaparecidos, o pai adotou uma rotina itinerante, mudando de cidade a cada seis meses para despistar a polícia. O isolamento era tão severo que o menino foi impedido de frequentar a escola e de conviver com outras crianças, tendo sua vida social completamente interrompida enquanto era forçado a copiar textos religiosos como forma de alfabetização improvisada.
O desfecho do caso só foi possível após um minucioso trabalho de inteligência da delegacia de Araçatuba (SP). Agentes civis chegaram a se hospedar disfarçados na mesma pousada em Goiânia para monitorar os passos do suspeito antes de efetuar a prisão. Devido à gravidade da situação e ao fato de o menino ter sido privado de direitos fundamentais, o caso, que inicialmente era tratado apenas como subtração de incapaz, foi reclassificado para o crime de cárcere privado. O delegado responsável destacou que o comportamento do pai demonstrou uma tentativa clara de apagar o vínculo materno e controlar totalmente a vida do filho.
Após o resgate, a mãe, que enfrentou crises de ansiedade e precisou se afastar do trabalho durante os dois anos de busca, finalmente reencontrou o menino. Agora, a prioridade da família é a reintegração da criança à sociedade. O plano de recuperação inclui o retorno imediato aos estudos — no segundo ano do ensino fundamental, etapa em que a educação formal foi interrompida — e um acompanhamento psicológico intensivo para lidar com os traumas do isolamento. O pai permanece preso e à disposição da Justiça para responder pelas acusações nas esferas cível e criminal.









