sexta, 12 de junho de 2026

Investigação aponta que quase todo o orçamento de filme sobre Bolsonaro foi bancado por banqueiro preso

A produção cinematográfica Dark Horse, idealizada por integrantes do Partido Liberal para retratar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve mais de 90% de seus custos financiados pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master que atualmente está preso sob a acusação de fraudes bilionárias. Em entrevista recente à rádio e TV, Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora responsável pelo longa-metragem, revelou que os gastos acumulados da obra já somam cerca de 13 milhões de dólares, o que corresponde a mais de 65 milhões de reais na cotação atual.

O montante investido gerou contradições entre os envolvidos na elaboração do projeto. O senador Flávio Bolsonaro já reconheceu publicamente ter recebido de Vorcaro uma quantia superior a 12 milhões de dólares para viabilizar a produção, o que representa quase a totalidade do orçamento atual. O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de mensagens e áudios em que o parlamentar cobrava repasses financeiros do banqueiro. Enquanto a dona da produtora argumenta que Vorcaro funcionava apenas como um intermediário na captação de recursos e que o dinheiro passou por um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, o senador contradiz a versão ao rotular abertamente o empresário como o patrocinador e investidor direto do filme.

Diante do escândalo, a Polícia Federal entrou no circuito para rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro. Os investigadores buscam descobrir se a verba bilionária foi integralmente aplicada na estrutura do filme ou se parte dos recursos serviu para bancar despesas pessoais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O parlamentar reside atualmente em território norte-americano e enfrenta o bloqueio de suas contas bancárias e bens por determinação do Supremo Tribunal Federal. Embora Flávio Bolsonaro assegure que os repasses se limitaram aos custos do longa e não apresentem nenhuma irregularidade legal, a polícia apura documentos que sugerem negociações para aportes ainda maiores, que poderiam chegar ao dobro do valor já investido.

A mudança de postura da família Bolsonaro em relação ao tema também chamou a atenção pública, uma vez que o financiamento do banqueiro era classificado como mentira pelos aliados antes do vazamento das conversas. Para se ter uma dimensão do volume financeiro envolvido na cinebiografia, os valores transferidos pelo ex-dono do Banco Master superam de longe os orçamentos somados de grandes produções contemporâneas do cinema brasileiro, incluindo obras de destaque internacional e indicadas a premiações de prestígio no exterior, evidenciando o tamanho da estrutura montada para o projeto político e cultural.

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