

Manter as janelas bem fechadas para se proteger do frio, o aumento das viroses e o contato direto com casacos e cobertores que ficaram guardados por muito tempo no armário são alguns dos principais gatilhos que costumam complicar a vida de quem tem asma durante o inverno. O problema atinge principalmente crianças e adolescentes. Para evitar que o quadro se agrave e resulte em idas urgentes ao hospital, especialistas alertam que a melhor estratégia é manter o tratamento preventivo rigorosamente em dia, garantindo que a inflamação dos pulmões permaneça sob controle.

Ao contrário do que muita gente pensa, não é o frio em si que piora a doença. O médico Emilio Pizzichini, coordenador da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), explica que o grande vilão dessa época do ano é a maior circulação de vírus no ambiente. Quando uma pessoa que não está tratando a asma adequadamente pega um resfriado ou uma gripe, o vírus provoca uma inflamação extra nos brônquios, abrindo as portas para uma crise grave. Por isso, os cuidados com a medicação contínua devem durar o ano inteiro. O especialista lembra ainda que manter a vacinação em dia — incluindo as doses contra a gripe, a Covid-19 e o vírus sincicial respiratório (VSR) — reduz drasticamente as chances de internação. Estima-se que o Brasil tenha hoje cerca de 20 milhões de asmáticos, e a imensa maioria dos casos de infecção leve poderia ser resolvida nos postos de saúde da atenção primária.
Os números mostram que o impacto nos mais jovens é expressivo. Dados do Datasus apontam que crianças e adolescentes de até 14 anos foram responsáveis por mais de 70% das internações causadas por asma nos meses de inverno de anos anteriores, chegando a quase dobrar o volume de registros na comparação com os meses de verão. Diante desse cenário, a pneumologista Marcela Marques, da organização Umane, destaca que pequenas mudanças na rotina de limpeza da casa podem fazer uma grande diferença. A médica orienta os pais a manterem os ambientes sempre arejados e ensolarados, livres de mofo e umidade. No quarto, o ideal é retirar tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia, além de trocar os cobertores tradicionais por edredons, que acumulam menos poeira. Na hora da faxina, a recomendação de ouro é aposentar a vassoura e passar apenas um pano úmido com água ou usar o aspirador de pó, evitando que a sujeira suba para o ar. Outro cuidado vital é manter os pacientes longe da fumaça de cigarros convencionais, eletrônicos ou narguilés, já que o fumo passivo é um dos piores detonadores de crises.


O médico Pedro Giavina-Bianchi, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), acrescenta que as aglomerações típicas dos dias mais frios facilitam muito a transmissão de vírus entre as pessoas. Ele sugere que os pacientes tentem evitar o contato próximo com pessoas visivelmente gripadas e reforça a importância de vacinas específicas, como a pneumocócica, que protege contra a pneumonia. Os especialistas lamentam que ainda falte orientação nas unidades de saúde para que as famílias saibam exatamente o que fazer assim que os primeiros sintomas aparecem. Quando os pais recebem um plano de ação detalhado do médico e começam o tratamento preventivo logo no início, as idas ao pronto-socorro e os internamentos hospitalares se tornam eventos raros, garantindo mais qualidade de vida e segurança para os jovens.








