

O inverno teve início oficialmente às 5h24 deste domingo, 21 de junho, e deve apresentar temperaturas mais quentes do que o normal na maior parte do interior de São Paulo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a nova estação, que tradicionalmente marca o período mais seco no Sudeste do país, exige atenção redobrada da população. A falta de umidade típica desta época do ano favorece a ocorrência e a propagação de queimadas e incêndios florestais, além de agravar doenças respiratórias e outros problemas de saúde.

O grande diferencial deste inverno será a influência do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial que altera os padrões de vento e chuva em todo o planeta. A meteorologista Ana Avila explicou que o fenômeno ainda está em fase de desenvolvimento e deve mostrar seus efeitos com maior intensidade no final da estação e no início da primavera, períodos em que as temperaturas já costumam ser naturalmente mais elevadas. Embora o El Niño ajude a transportar umidade e favoreça a formação de frentes frias, ele também tende a encurtar os períodos de frio intenso, abrindo espaço para os chamados veranicos, que são intervalos de dias seguidos com calor em pleno inverno.
Apesar da previsão de um inverno mais quente na média geral, a primeira semana da estação manterá características bem típicas, com temperaturas baixas que podem se estender até o final de junho. Nevoeiros e névoas úmidas devem continuar comuns nas primeiras horas da manhã, reduzindo a visibilidade e exigindo cautela dos motoristas nas rodovias. A especialista aponta que o risco de frio extremo diminui significativamente entre o fim de julho e o começo de agosto, mês que já deve registrar marcas mais altas nos termômetros. As cidades localizadas próximas a serras e áreas montanhosas continuam sendo as mais propensas a registrar geadas e temperaturas acentuadamente baixas.


Em relação ao volume de chuvas, o interior paulista funcionará como uma espécie de “divisor de águas” devido à sua posição geográfica. Enquanto o sul do estado tem maior probabilidade de registrar precipitações acima da média histórica — impulsionadas por frentes frias que sobem da Região Sul —, as cidades situadas mais ao norte devem enfrentar um período ainda mais seco. Para a maior parte do interior, a expectativa é de grande variabilidade, com dias chuvosos intercalados por longos períodos de seca, mantendo o acumulado total dentro do esperado para a estação.









