segunda, 9 de março de 2026

Interior paulista registra mais de 200 denúncias de trabalho escravo em dois anos

O Ministério Público do Trabalho (MPT) revelou um cenário preocupante sobre as condições laborais no interior de São Paulo. Entre os anos de 2024 e 2025, foram registradas mais de 200 denúncias de trabalho análogo à escravidão em cinco importantes regiões do estado: São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Bauru, Sorocaba e Itapetininga. O balanço aponta que, para combater essas irregularidades, os órgãos de fiscalização firmaram 58 Termos de Ajuste de Conduta (TACs) e moveram nove Ações Civis Públicas no período.

As regiões de Sorocaba e Bauru aparecem no topo das estatísticas. Em Sorocaba, que engloba também a área de Itapetininga para o MPT, foram 43 denúncias apenas em 2025. Recentemente, a cidade foi palco de um resgate impactante em que 33 trabalhadores baianos foram encontrados em condições insalubres em um canteiro de obras. Já em Bauru, os números saltaram de 17 casos em 2024 para 28 no ano passado. Um dos episódios mais graves na região ocorreu em Ourinhos, onde 14 paraguaios foram resgatados de uma fábrica clandestina de cigarros; eles viviam em quartos sujos, tinham seus celulares confiscados e eram mantidos sob vigilância constante.

Por outro lado, as regiões de Rio Preto e Araçatuba apresentaram uma redução significativa no volume de denúncias de um ano para o outro. Em Rio Preto, as queixas caíram de 30 para 11, embora a região ainda registre casos graves de exploração, como a recente fiscalização em Birigui que localizou mais de 100 adolescentes em situação de trabalho infantil ilegal em diversas empresas. Em Presidente Prudente, houve um leve aumento nas denúncias, e a Justiça chegou a conceder liminares contra estabelecimentos, como um supermercado que forçava jornadas exaustivas superiores a 10 horas diárias.

A exploração atinge diferentes perfis e setores, indo muito além das fábricas ou lavouras. Em Itapetininga, um caso emblemático envolveu uma idosa de 73 anos que trabalhou como cuidadora por duas décadas sem direito a folgas, recebendo apenas R$ 220 semanais. O MPT reforça que o combate a essas práticas depende tanto da fiscalização rigorosa quanto da conscientização da sociedade. Quando irregularidades são confirmadas, as empresas podem ser obrigadas a pagar indenizações imediatas ou enfrentar processos judiciais que buscam garantir a dignidade e os direitos fundamentais dos trabalhadores.

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