

O interior paulista consolidou-se como o principal cenário de combate ao narcotráfico no estado ao longo de 2025. De acordo com o balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) nesta sexta-feira (30), as cidades do interior concentraram cerca de 70% de todos os entorpecentes retirados de circulação pelas forças de segurança. Das 206 toneladas apreendidas em todo o território paulista, 143,4 toneladas foram interceptadas em rodovias e cidades do interior, representando um crescimento de 2,6% na comparação com o ano anterior.

A concentração das apreensões nessas regiões é explicada pelo que as autoridades chamam de “rota caipira”. Esse corredor logístico é utilizado pelo crime organizado para transportar drogas vindas de outros estados e países vizinhos em direção à capital e, principalmente, ao Porto de Santos, de onde as substâncias seguem para mercados internacionais na Europa, Ásia e África. No exterior, o valor de revenda de substâncias como a cocaína sofre uma valorização impressionante, podendo alcançar até 80 mil dólares por quilo, o que torna o controle dessas estradas uma prioridade estratégica para a polícia.
Entre as ações que marcaram o ano, destacam-se grandes flagrantes realizados pela Polícia Rodoviária. Em fevereiro de 2025, nove toneladas de maconha e skunk foram encontradas escondidas em uma carga de milho na Rodovia Castello Branco, em Porangaba. Outro episódio relevante ocorreu em Adamantina, onde quase oito toneladas de droga viajavam ocultas sob placas de gesso. No ranking das apreensões por região, Presidente Prudente liderou com mais de 36 toneladas, seguida por Sorocaba e Bauru.
O impacto financeiro causado às organizações criminosas com essas operações é bilionário, com prejuízos estimados em quase R$ 1 bilhão. A maconha continua sendo a droga mais comum nas cargas interceptadas, seguida pela cocaína e pelo crack. A legislação brasileira prevê penas rigorosas para o tráfico de drogas, com reclusão de até 15 anos, e o governo estadual reforça que a vigilância nas rodovias do interior permanece intensificada para desarticular o escoamento desses produtos ilícitos.









