

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira em uma grande operação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A ação, batizada de Operação Vérnix, mira um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital. Além da famosa, a ofensiva policial teve como alvos o principal líder da facção criminosa, Marco Camacho, o Marcola, e vários integrantes de sua família. Mandados de prisão também foram expedidos contra o irmão de Marcola, Alejandro Camacho, e contra os sobrinhos Paloma e Leonardo Herbas Camacho — que estão fora do país, na Espanha e na Bolívia, respectivamente —, além de Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como o operador financeiro do grupo.

De acordo com as investigações que começaram em 2019, a engrenagem criminosa utilizava uma empresa de transportes de cargas localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista, como fachada para movimentar recursos ilegais. As pistas iniciais surgiram após a apreensão de bilhetes manuscritos dentro de uma penitenciária da região, nos quais os presos faziam menção a ordens da facção, ameaças a autoridades e a uma misteriosa “mulher da transportadora”. Anos depois, a quebra de sigilo do celular de um homem de confiança de Marcola revelou mensagens sobre compras de caminhões e depósitos fracionados que beneficiavam diretamente a cúpula do PCC e pessoas ligadas ao grupo.
Os investigadores apontam que Deolane Bezerra teria recebido mais de R$ 1 milhão entre os anos de 2018 e 2021 por meio de depósitos picados, sempre em valores menores do que R$ 10 mil. Essa estratégia, conhecida no jargão policial como “smurfing”, é utilizada propositalmente para tentar burlar a fiscalização do Banco Central e dificultar o rastreamento do dinheiro. Além disso, a polícia identificou repasses de quase R$ 716 mil feitos para as empresas da influenciadora por meio de uma financiadora de crédito suspeita, sem que houvesse qualquer comprovação de empréstimos legítimos ou de prestação de serviços jurídicos que justificassem o pagamento.















Diante dos fortes indícios de ocultação de bens, a Justiça de São Paulo determinou o congelamento de R$ 27 milhões das contas de Deolane, além do bloqueio total de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros de todos os investigados e a apreensão de 39 veículos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões. A influenciadora, que passou as últimas semanas em Roma, na Itália, chegou a ter seu nome incluído na lista de procurados internacionais da Interpol, mas acabou sendo presa logo após retornar ao Brasil. Os juízes do caso justificaram as prisões preventivas alertando que a medida era necessária para evitar a destruição de provas, o risco de fuga e para frear a continuidade das atividades da facção, que vinha transmitindo ordens de dentro dos presídios.


























