sexta, 10 de julho de 2026

Indústria brasileira recua 0,2% em maio e interrompe sequência de cinco meses de crescimento

A produção da indústria brasileira registrou uma leve queda de 0,2% na passagem de abril para maio. Esse resultado acende um sinal de alerta no setor, por se tratar do primeiro desempenho negativo desde dezembro de 2025, quando a atividade industrial havia encolhido 1,9%. Apesar do recuo recente, o cenário geral ainda mostra sinais de estabilidade: quando comparada a maio do ano passado, a indústria teve uma expansão discreta de 0,2%, e o acumulado dos últimos 12 meses aponta para uma variação positiva de 0,4%. Os dados foram extraídos da Pesquisa Industrial Mensal e divulgados nesta sexta-feira, dia 3 de julho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho acabou vindo abaixo do esperado pelos analistas. De acordo com um boletim da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, a expectativa do mercado financeiro era de que o setor apresentasse um crescimento de 0,3% no período. Olhando para o histórico recente, a indústria vinha em uma trajetória consistente de recuperação no início do ano, com altas expressivas de 2,2% em janeiro, 1,1% em fevereiro, 0,3% em março e 0,7% em abril. Mesmo com o tropeço de maio, o setor industrial brasileiro se posiciona atualmente 4,5% acima do patamar registrado antes da pandemia de covid-19, em fevereiro de 2020, embora ainda esteja 13% abaixo do seu nível recorde histórico, alcançado em maio de 2011.

A queda na atividade de abril para maio foi puxada principalmente pelo recuo em setores de grande peso econômico, que interromperam uma sequência de cinco meses seguidos de alta. O segmento de derivados do petróleo, biocombustíveis e coque registrou uma baixa expressiva de 6,1%, influenciado sobretudo pela menor produção de gasolina e álcool etílico. Já as indústrias extrativas recuaram 2,6%, arrastadas pela queda na extração de minério de ferro, gás natural e óleos brutos de petróleo. Outro setor importante que fechou no vermelho foi o de produtos alimentícios, com redução de 1,3% na produção.

Por outro lado, alguns segmentos conseguiram evitar um tombo maior da indústria. Os destaques positivos ficaram com o setor de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que deu um salto de 13,1%, seguido pelo ramo de produtos químicos, com alta de 3,1%. O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias também brilhou ao crescer 4,1%, impulsionado pela maior fabricação de automóveis, caminhões e autopeças, o que marcou o quinto mês consecutivo de expansão para a indústria automobilística.

Entre as grandes categorias econômicas, a perda de fôlego foi quase generalizada. Os bens de consumo semi e não duráveis lideraram as perdas com recuo de 1,3%, seguidos pelos bens intermediários — que são as matérias-primas que passam por transformação — com queda de 0,4%, e pelos bens de capital, que englobam máquinas e equipamentos, com baixa de 0,2%. A única exceção que conseguiu fechar o mês no azul foi a categoria de bens de consumo duráveis, que registrou um crescimento expressivo de 3,6% na comparação mensal.

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