segunda, 13 de julho de 2026

Incêndios florestais têm queda histórica no mundo e registram menor nível de poluição desde 2003

O primeiro semestre de 2026 registrou o menor nível global de poluição gerada por incêndios florestais das últimas duas décadas. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, dia 6 de julho, pelo observatório europeu Copernicus, o volume de gases do efeito estufa lançados na atmosfera por queimadas entre janeiro e junho ficou abaixo de 400 milhões de toneladas de carbono. Esse número representa uma marca histórica, já que, desde o início das medições em 2003, o índice nunca havia ficado abaixo das 500 milhões de toneladas, chegando a ultrapassar um bilhão de toneladas no começo dos anos 2000.

Os cientistas apontam que a principal responsável por essa melhora foi a redução das queimadas que costumam acontecer no período de seca na África tropical e na Ásia. O continente africano, por exemplo, viu suas emissões caírem de 213 milhões de toneladas no primeiro semestre do ano passado para 154 milhões neste ano, enquanto os países asiáticos reduziram o índice de 164 para 113 milhões de toneladas. Na América do Sul, que historicamente polui menos por essa causa do que essas duas regiões, também houve uma leve queda no total de carbono liberado, apesar do registro de focos intensos de calor em locais como a região de Biobío, no Chile, e na província de Chubut, localizada na Patagônia argentina. Por outro lado, o monitoramento por satélites identificou que a situação mais crítica no planeta ocorreu no sudeste da Austrália no início de janeiro, onde os termômetros marcaram recordes de temperatura.

Apesar da boa notícia, os especialistas em clima alertam que o cenário positivo pode mudar rapidamente nos próximos meses. Mark Parrington, cientista sênior do Copernicus, explicou que novas queimadas observadas recentemente nas regiões da Eurásia e da América do Norte já acenderam um sinal de alerta. O pesquisador destaca que a chegada e o avanço do fenômeno climático El Niño trazem a ameaça de agravar as secas sazonais em várias partes do mundo. O temor dos cientistas é que se repita o que aconteceu em anos anteriores sob a influência do fenômeno, como em 2015 e 2019, quando grandes incêndios na Indonésia cobriram países inteiros com uma densa fumaça e prejudicaram gravemente a saúde da população.

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