

As sessões de diálise na Santa Casa de Votuporanga ganharam cores vivas e um novo significado graças à iniciativa de Maria de Lourdes Rosa Bernardes, de 82 anos. Diagnosticada com problemas renais crônicos, a idosa precisa comparecer ao hospital três vezes por semana — às segundas, quartas e sextas-feiras — para realizar o procedimento médico. Diante da rotina exaustiva, que no passado já chegou a demandar até dez horas seguidas dentro da unidade, dona Maria decidiu usar o tempo ocioso a seu favor. Ela comprou agulhas e linhas coloridas e transformou o leito hospitalar em um ateliê improvisado, onde tece porta-copos, descansos de panela e jogos completos de sousplat.

A dedicação da artesã, no entanto, não tem qualquer objetivo financeiro. Mãe de quatro filhos biológicos e seis de criação, dona Maria produz as peças com o único propósito de presentear e alegrar o dia de quem cruza o seu caminho. A generosidade da idosa rompeu as barreiras do setor de nefrologia e hoje alcança tanto os funcionários quanto os outros pacientes da Santa Casa, além de frequentadores de postos de saúde da região. Ela relata que se sente abençoada por ter condições de adquirir o próprio material e afirma que realiza as doações com imensa gratidão, buscando lembrar as pessoas de que é possível manter a fé e a gentileza mesmo diante de momentos difíceis de saúde.
A postura inspiradora de dona Maria comoveu a equipe médica e de apoio do hospital. De acordo com a psicóloga da instituição, Luciana Maranho, o hábito de crochetar traz benefícios profundos para o bem-estar emocional da paciente. A especialista explica que a atividade manual ajuda a manter a mente ativa, preserva a autoestima e reforça o sentimento de utilidade da idosa. Ao focar na criação e no ato de compartilhar suas obras com o próximo, a paciente consegue desviar a atenção da gravidade da doença, resgatando sua própria identidade e transformando o ambiente hospitalar em um espaço mais leve e acolhedor para todos.










