

Residente há mais de duas décadas em uma propriedade rural próxima à rodovia Péricles Belini, Ilda Rosa de Oliveira, de 78 anos, enfrenta um desafio incomum e perigoso em sua rotina. Entre os anos de 2021 e 2026, a aposentada registrou a marca de 83 picadas de escorpião. Somente nos primeiros meses deste ano, enquanto tentava limpar o terreno onde vive, ela foi atingida entre 20 e 30 vezes pelos animais peçonhentos. Apesar do risco constante, Dona Ilda reforça que não pretende se mudar para a área urbana, pois considera o contato com a natureza e o cuidado com suas plantações e criações uma forma de terapia.

O problema teve início em 2021, quando sofreu a primeira picada ao manusear um tapete úmido. De acordo com a idosa, a proliferação dos escorpiões coincidiu com o descarte de grandes quantidades de entulho, madeiras e sacarias em sua chácara, material que teria sido deixado por um familiar. Essas pilhas de detritos tornaram-se o ambiente ideal para o abrigo dos animais. Mesmo com pedidos frequentes para que o responsável fizesse a retirada dos materiais, o entulho permanece no local, o que levou Ilda a tentar queimar os restos de madeira por conta própria para eliminar os focos de infestação.
As consequências para a saúde da aposentada são preocupantes, especialmente por ela ser hipertensa e possuir problemas renais. Segundo relata, os médicos alertaram que seu organismo já acumula uma quantidade significativa de toxinas devido ao número elevado de incidentes. Cada nova picada agrava suas dores de cabeça, eleva a pressão arterial e intensifica o desconforto nos rins. Para evitar que os animais entrem em sua residência, ela mantém uma rotina rigorosa de limpeza com produtos específicos, o que tem garantido que os escorpiões fiquem restritos à área externa da propriedade.
A situação de vulnerabilidade de Dona Ilda sensibilizou autoridades locais. A vereadora Débora Romani, ao tomar conhecimento do caso, afirmou que buscará medidas para solucionar o impasse. A parlamentar pretende identificar o responsável pelo descarte do entulho e mobilizar esforços para a limpeza completa da chácara. Enquanto aguarda uma solução definitiva, a idosa continua cuidando do marido acamado, que vive na cidade com familiares, e utiliza pinças metálicas para recolher os escorpiões que encontra pelo caminho, na esperança de um dia voltar a ter paz em seu lar.







