


A divulgação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente ao ano de 2025, apresentada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelou um panorama diversificado para as redes municipais de ensino no noroeste do estado de São Paulo. Calculado a cada dois anos a partir de dados sobre o fluxo escolar e o desempenho dos alunos em testes de Língua Portuguesa e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o indicador apontou trajetórias distintas entre as principais cidades da região em relação aos números medidos em 2023.

Cidades como Araçatuba, Fernandópolis e São José do Rio Preto registraram evolução em suas médias no ensino fundamental, com destaque para Fernandópolis, que saltou de 6,3 para 7,0 pontos no índice. Por outro lado, municípios como Catanduva e Votuporanga apresentaram recuo no desempenho pedagógico. O maior índice registrado na região pertence ao município de Floreal, que obteve a nota 8,8 — apesar de uma redução em relação aos 9,3 anotados na edição anterior. Na outra ponta da tabela regional, a cidade de Gabriel Monteiro registrou a nota mais baixa, com 5,6 pontos, seguida por Guapiaçu, que obteve 5,7.
A pontuação obtida por Gabriel Monteiro acabou sendo contestada formalmente pela Secretaria Municipal de Educação local. A pasta alega ter havido uma falha operacional promovida por uma aplicadora externa durante a distribuição dos cadernos de prova aos alunos do 5º ano, o que teria levado estudantes a responderem testes trocados. Apesar de a prefeitura ter ingressado com recurso administrativo alegando prejuízo no resultado final, o Inep indeferiu o pedido para a realização de um novo exame. Em resposta geral aos municípios paulistas, o Ministério da Educação pontuou que prestará acompanhamento específico prioritariamente às redes que ficaram com pontuação abaixo de 4,9.


Para além da contagem numérica, especialistas em gestão pedagógica reforçam a necessidade de analisar o Ideb de forma analítica e sem reducionismos. Analistas do setor educacional da Unesp alertam que atribuir os resultados exclusivamente à atuação de professores desconsidera variáveis cruciais do ensino público, como a precariedade da infraestrutura escolar, a superlotação de salas, a vulnerabilidade socioeconômica das famílias e a falta de recursos estruturantes. Defende-se, assim, que as métricas padronizadas sejam complementadas por avaliações qualitativas e contínuas para uma compreensão mais precisa do ambiente escolar.







