sexta, 10 de abril de 2026

Hospital de Base de Rio Preto inova com tecnologia que amplia tempo de preservação de órgãos

O Hospital de Base de Rio Preto alcançou um marco histórico para a medicina brasileira ao realizar o primeiro transplante de fígado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) utilizando uma máquina de perfusão hepática. O procedimento, ocorrido no último sábado (28), foi viabilizado pela criação do primeiro Centro de Manutenção de Órgãos do país dentro da instituição. A nova estrutura utiliza a tecnologia chamada Liver Assist, que permite manter o órgão em funcionamento fora do corpo humano, simulando as condições naturais do organismo com circulação de oxigênio e controle rigoroso de temperatura.

O primeiro paciente a ser beneficiado pela técnica foi o analista de sistemas Rodolfo Aparecido Chicone, de 39 anos, morador de Araraquara, que segue em recuperação estável na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante a cirurgia, o fígado destinado a ele permaneceu conectado ao equipamento por mais de quatro horas. Diferente do método tradicional, onde o órgão é preservado apenas no gelo por um período de 10 a 14 horas, a nova máquina estende esse prazo para até 24 horas. Além de dar mais tempo às equipes médicas, a tecnologia possibilita avaliar e até recuperar órgãos que antes seriam descartados por não apresentarem condições ideais imediatas.

Segundo a Funfarme, fundação responsável pelo complexo hospitalar, a iniciativa é voltada exclusivamente para o atendimento de pacientes da rede pública. O diretor executivo da instituição, Horácio José Ramalho, destacou que a incorporação dessa tecnologia de ponta representa um novo capítulo na história do hospital, unindo a excelência da equipe multidisciplinar à inovação para salvar vidas. A expectativa é que, em breve, o uso do equipamento seja expandido também para transplantes de rins, otimizando ainda mais a fila de espera nacional.

Referência no setor desde 1990, o Hospital de Base já ultrapassou a marca de 5.800 transplantes realizados. A nova estrutura do Centro de Manutenção de Órgãos se soma ao trabalho da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da região, que já apresenta índices de captação e aceitação familiar superiores às médias estadual e nacional. Com a redução de riscos e a melhora nos resultados clínicos proporcionadas pela perfusão oxigenada, o hospital reafirma seu papel estratégico na modernização do SUS e no aumento da oferta de órgãos viáveis para transplante no Brasil.

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