

Descobrir a quantidade de horas que um homem idoso passa dormindo pode se tornar uma maneira simples, barata e muito eficiente de prever e evitar a perda de mobilidade na terceira idade. Um estudo internacional acompanhou mais de 3 mil pessoas com mais de 60 anos e revelou que os homens que costumam dormir mais de nove horas por noite apresentaram uma caminhada visivelmente mais lenta ao longo de um período de oito anos. Curiosamente, esse fenômeno não foi observado no público feminino. A perda de velocidade ao andar é considerada um sinal de alerta grave na velhice, pois está diretamente ligada à perda de autonomia e a chances mais altas de quedas, internações e morte.

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em parceria com a University College London, no Reino Unido, utilizando dados de uma grande base de estudos sobre o envelhecimento na Inglaterra. Os pesquisadores selecionaram voluntários que não tinham nenhuma dificuldade inicial para caminhar e os monitoraram por quase uma década. Os resultados mostraram que os homens que dormiam além da conta perderam até um quarto da velocidade que tinham no começo do estudo. Por outro lado, episódios de insônia ou noites muito curtas de sono não afetaram o rendimento físico deles.
O motivo por trás desse impacto na mobilidade masculina envolve fatores biológicos e hormonais. O professor Tiago da Silva Alexandre, da UFSCar, explica que passar muitas horas na cama não significa necessariamente descansar bem. Na verdade, esses idosos costumam ter um sono interrompido e superficial. Essa baixa qualidade do descanso prejudica a produção de testosterona, hormônio que é vital para manter os músculos fortes nos homens, o que acaba acelerando o enfraquecimento das pernas. Além disso, o sono fragmentado estimula um processo de inflamação crônica natural do envelhecimento, que desgasta os tecidos musculares e reduz a força física.


No caso das mulheres, o excesso de sono não trouxe prejuízos para a velocidade da caminhada. Os cientistas esclarecem que o organismo feminino depende de outros hormônios para proteger a massa muscular, fazendo com que elas fiquem menos vulneráveis às alterações da testosterona causadas pelas noites mal dormidas. Os autores do estudo concluem lembrando que o recomendável para a faixa etária acima dos 60 anos é dormir entre seis e nove horas por noite. Como o corpo idoso tende naturalmente a dormir menos, ultrapassar esse limite é um comportamento atípico que deve servir de alerta para médicos e familiares investigarem a saúde do paciente.








