

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito sobre a tragédia que chocou a cidade de Porto Rico, no noroeste do estado, e apontou que a queda de um carro no Rio Paraná não foi um acidente. Segundo as investigações conduzidas pela delegada Iasmin Gregório e divulgadas nesta sexta-feira, Márcio Talaska, de 38 anos, jogou propositalmente o veículo da família na água. O ato criminoso resultou na morte por afogamento de sua esposa, Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e da filha do casal, Maria Laura Roman Talaska, de apenas três anos. Márcio está preso preventivamente desde o início do mês e foi indiciado por feminicídio e por vicaricídio, termo jurídico usado quando um crime é cometido contra alguém dependente de uma mulher para gerar sofrimento a ela.

Os laudos técnicos da perícia foram fundamentais para desmentir a versão inicial do suspeito, que havia afirmado que a esposa estava ao volante e havia se perdido no caminho. As análises mecânicas comprovaram que o automóvel não apresentava nenhum defeito nos freios, e as imagens das câmeras de monitoramento da região revelaram que era o próprio Márcio quem dirigia. De acordo com a polícia, o trajeto durou cerca de oito minutos e o motorista seguiu em linha reta pelas ruas, sem demonstrar qualquer tipo de desorientação ou pedir informações, até atingir a rampa que dava acesso direto ao rio.
O comportamento do indiciado logo após a queda também chamou a atenção das autoridades. Imagens de segurança e o depoimento de um pescador que testemunhou a cena mostraram que Márcio conseguiu sair do carro e nadou até a margem com habilidade, demorando para pedir socorro. A delegada ressaltou que, diante de uma situação extrema como essa, o esperado seria que o pai tentasse salvar a filha e a esposa antes de deixar o veículo submerso. Só depois de perceber a presença de uma testemunha na área é que o homem gritou avisando sobre a morte de sua família.
A motivação do crime teria sido uma discussão que começou horas antes, durante uma confraternização familiar. Testemunhas relataram um clima de forte tensão entre o casal depois que Iria escolheu uma música com temática de traição para tocar no evento, o que irritou o marido e fez com que eles fossem embora logo em seguida. Ao todo, a polícia ouviu 11 pessoas, entre amigos e familiares. O caso agora foi enviado ao Ministério Público do Paraná, que decidirá se apresenta a denúncia formal à Justiça, enquanto a defesa de Márcio declarou que só vai se pronunciar após analisar todos os detalhes do processo.







