quinta, 12 de março de 2026

Herdeiros em Rio Preto revelam a história por trás do hino sertanejo “Boate Azul”

Foto: Edvaldo Santos

Considerada o segundo “hino nacional” dos brasileiros nos karaokês e shows sertanejos, a música “Boate Azul” esconde detalhes pouco conhecidos sobre sua origem e o seu criador. Embora a canção tenha se tornado um fenômeno de público e já tenha sido regravada por mais de 450 duplas, o homem que deu forma final aos seus versos, Aparecido Tomás de Oliveira, não viveu o suficiente para ver o auge do sucesso nacional da obra. Hoje, seus filhos e netos moram em São José do Rio Preto e se dedicam a preservar o legado do letrista nascido no distrito de Baguaçu, em Olímpia.

A composição, escrita originalmente em 1963, foi fruto de uma parceria entre Tomás e o melodista Benedito Seviero. Ao contrário das lendas que cercam a letra, a família esclarece que a música nasceu de fragmentos levados por Seviero e concluídos por Tomás, que era o letrista oficial da dupla. O caminho até o sucesso, porém, foi interrompido pela política: logo após ser escrita, a canção enfrentou a censura da ditadura militar, o que a manteve guardada e longe do grande público por muitos anos. O estouro nacional só aconteceu por volta de 1990, quando Tomás já havia partido, deixando para as gerações futuras um dos refrões mais cantados do país.

A trajetória de Tomás foi marcada pela vida simples e pela dedicação à arte no interior paulista. Ele se apresentava em circos itinerantes e palcos montados sobre caminhões, levando sua música por pequenas cidades enquanto formava diferentes duplas ao longo da carreira. Apesar de ter vivido nos bastidores da grande indústria fonográfica, seu talento moldou versos que hoje atravessam gerações. Como forma de homenagem, seu filho Fernando chegou a tatuar a capa de um dos álbuns do pai, simbolizando o orgulho de uma família que guarda os segredos de uma canção que virou patrimônio cultural.

Atualmente, “Boate Azul” só perde em execuções para “Evidências”, consolidando-se como uma das músicas mais rentáveis e queridas do repertório sertanejo. Para os herdeiros em Rio Preto, resgatar essa história é uma maneira de fazer justiça ao nome do olimpiense que, em meio às dificuldades da época e à repressão, conseguiu traduzir em palavras um sentimento que ainda hoje faz milhares de pessoas cantarem juntas, unidas pela melancolia e pelo ritmo de um clássico imortal.

Notícias relacionadas