segunda, 13 de abril de 2026

Gustavo Petro solicita expansão do sistema Pix para a Colômbia e critica sanções dos EUA

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, utilizou suas redes sociais para fazer um apelo direto ao governo brasileiro pela ampliação do sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, para o território colombiano. Em uma publicação no X (antigo Twitter), o líder sul-americano defendeu que a ferramenta tecnológica brasileira poderia modernizar as transações em seu país. Ao mesmo tempo, Petro aproveitou a oportunidade para disparar críticas severas ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos Estados Unidos, órgão responsável por gerir listas de sanções internacionais contra indivíduos e organizações ligadas ao crime e ao narcotráfico.

Para o presidente colombiano, o atual mecanismo de sanções norte-americano tornou-se ineficiente no combate ao crime organizado. Petro argumentou que os grandes líderes do narcotráfico e de grupos armados conseguem burlar essas restrições com facilidade, operando a partir de centros financeiros globais, como Dubai, onde desfrutam de luxo e proteção. Segundo ele, o sistema da OFAC não cumpre mais seu papel original de asfixiar o poder financeiro dos criminosos, que encontrariam formas de movimentar recursos e expandir mercados para fora da Colômbia, evitando inclusive processos de extradição por meio de acordos judiciais estratégicos.

Além da ineficácia no combate às drogas, Gustavo Petro classificou o monitoramento financeiro dos Estados Unidos como uma ferramenta de perseguição política. Ele descreveu o modelo como um sistema de controle que afeta oposições e defendeu a necessidade de uma governança global mais democrática e menos dependente de decisões unilaterais de uma única potência. Em sua visão, o foco das relações internacionais deveria se deslocar para a cooperação tecnológica e o desenvolvimento econômico regional, deixando de lado mecanismos que ele considera ultrapassados e autoritários.

A manifestação de Petro ocorre em um momento de busca por maior integração financeira na América Latina. Ao pedir a chegada do Pix à Colômbia, o presidente sinaliza um interesse em modelos de inclusão digital que deram certo no Brasil, apostando na agilidade e na transparência das transações eletrônicas como alternativa aos sistemas tradicionais. Até o momento, as autoridades brasileiras não se pronunciaram formalmente sobre a viabilidade técnica ou política de exportar a tecnologia do Banco Central para o país vizinho, processo que exigiria complexos acordos bilaterais e ajustes regulatórios.

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