domingo, 10 de maio de 2026

Guerra de avatares: Esquerda cria personagens de IA para rebater críticas ao governo

O embate político nas redes sociais ganhou um novo capítulo tecnológico com o uso de inteligência artificial para conquistar o eleitorado. Perfis alinhados ao governo Lula passaram a utilizar personagens criados digitalmente para defender medidas da gestão atual e atacar adversários, especialmente a família Bolsonaro. A estratégia surge como uma contraofensiva direta à “Dona Maria”, uma personagem de IA que viralizou com críticas ao governo e que se tornou alvo de ações judiciais por parte de partidos da base aliada, como PT, PV e PCdoB.

Os novos vídeos, publicados por páginas como “Jovem Esquerda” e “Lula pela verdade”, apresentam mulheres negras que comentam temas populares, como a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e as ações para controlar o preço dos combustíveis. Em um dos conteúdos, a personagem digital afirma que, enquanto o atual presidente trabalha para reduzir a jornada semanal para 40 horas sem corte salarial, a oposição estaria mais preocupada com benefícios próprios. Os perfis deixam claro, por meio de avisos, que as imagens e vozes são geradas por ferramentas tecnológicas, buscando diferenciar-se de possíveis acusações de desinformação.

A escolha de avatares com traços de mulheres negras não é por acaso. Especialistas e levantamentos de dados indicam que esse grupo demográfico é um dos que mais tende a votar à esquerda, o que explica a tentativa dos estrategistas digitais de criar identificação com esse público específico. Outro vídeo foca na economia, defendendo que o preço do diesel só não subiu mais devido à retirada de impostos federais e à fiscalização em postos, além de culpar gestões passadas pela venda de refinarias brasileiras.

Enquanto a disputa digital se intensifica, a Justiça Eleitoral observa o cenário. A página original da “Dona Maria”, que já ultrapassou a marca de 750 mil seguidores, segue no centro de uma polêmica jurídica sobre os limites do uso de IA na propaganda política. Embora o criador da página afirme trabalhar sozinho, os partidos governistas buscam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do perfil, alegando que o uso dessas ferramentas pode confundir o eleitor. O surgimento de personagens semelhantes do lado oposto mostra que a tecnologia de IA veio para ficar e será uma arma central na comunicação política daqui em diante.

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