segunda, 8 de junho de 2026

Gravador em mochila de aluna com autismo revela violência e agressões em creche municipal

Foto: Reprodução / TV TEM

Funcionárias e até mesmo a diretora de uma creche municipal em Turiúba, no interior de São Paulo, foram denunciadas à polícia sob a suspeita de agredir verbal e fisicamente crianças com necessidades especiais. O esquema de maus-tratos foi descoberto pela mãe de uma estudante de quatro anos, diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno opositor desafiador (TOD). Desconfiada devido às mudanças bruscas de comportamento da filha, que passou a chorar e a se recusar a ir para a Escola Municipal Comecinho de Vida, a dona de casa Laila Lima decidiu esconder um gravador na mochila da menina para monitorar a rotina escolar.

Ao recolher o aparelho, a mãe teve acesso a áudios chocantes que revelam uma rotina de violência e ameaças explícitas contra os alunos. Em um dos 18 arquivos gravados, aos quais a equipe de reportagem teve acesso, uma funcionária chega a ameaçar cortar o braço de um estudante utilizando uma tesoura. Em outro trecho gravado, uma mulher aparece orientando uma professora sobre como controlar os alunos classificados por ela como especiais, afirmando textualmente que seria necessário usar “força no pulso e na voz”. As conversas captadas também mostram as servidoras tramando agressões contra uma criança com autismo e, em outro momento, uma funcionária incentivando um aluno a bater em uma colega de classe para revidar uma provocação.

A divulgação do caso gerou revolta e motivou outras famílias a procurarem a Polícia Civil para relatar episódios parecidos. Uma das mães contou que decidiu tirar o filho da creche após o menino retornar para casa com um hematoma pelo corpo. Diante da gravidade das denúncias, a Prefeitura de Turiúba informou que afastou preventivamente todas as servidoras envolvidas e abriu uma sindicância administrativa para apurar a conduta da equipe pedagógica.

O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que recolheu o material em áudio e cobrou explicações oficiais tanto do município quanto dos investigadores. Até o momento, a Polícia Civil já ouviu o depoimento de 19 pessoas no inquérito, incluindo 14 mães, uma testemunha que trabalha na creche e as quatro funcionárias investigadas. Os áudios agora passam por uma análise técnica detalhada antes que o relatório final da investigação seja concluído e encaminhado à Justiça.

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