terça, 8 de setembro de 2026

Governo prevê aporte de R$ 6 bilhões nos Correios para 2027 após estatal registrar novo prejuízo

O governo federal incluirá no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 a previsão de um aporte de R$ 6 bilhões para o caixa dos Correios. O anúncio foi confirmado em nota conjunta pelos ministérios das Comunicações, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e do Planejamento e Orçamento nesta segunda-feira (31), mesmo dia em que o texto do Orçamento é enviado ao Congresso Nacional. O reforço financeiro faz parte das contrapartidas assumidas pela União na operação de crédito de R$ 12 bilhões com cinco bancos em dezembro do ano passado para apoiar o plano de reestruturação da estatal.

A garantia do recurso atende a exigências contratuais firmadas com os bancos credores sob aval do Tesouro Nacional. Caso o montante não seja disponibilizado até o final de 2027, as instituições financeiras poderão exigir o vencimento antecipado de toda a dívida bilionária, o que obrigaria a União a quitar o valor integral imediatamente. Apesar de figurar no planejamento orçamentário do próximo ano, o Ministério da Fazenda terá autonomia para definir o momento e a forma como a transferência do dinheiro será efetuada, sem a obrigatoriedade de repassar todo o valor de uma única vez no início do exercício.

A injeção de capital ocorre em meio a um momento delicado nas contas da empresa pública, que acumulou um prejuízo líquido de R$ 5,5 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, sendo R$ 2,4 bilhões registrados apenas no segundo trimestre. A retração nos serviços postais tradicionais, o aumento das despesas operacionais e a acirrada concorrência no mercado de logística pressionaram o balanço. Como resposta, os Correios vêm implementando um programa de corte de custos que envolveu o desligamento voluntário de milhares de funcionários, renegociação de contratos e o lançamento de um marketplace próprio para elevar a arrecadação.

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