segunda, 20 de abril de 2026

Governo planeja liberar saque de 20% do FGTS para trabalhador quitar dívidas

O Ministério da Fazenda prepara um novo pacote de medidas para combater o endividamento das famílias brasileiras e facilitar o acesso ao crédito com juros mais baixos. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro Dario Durigan revelou que a estratégia central do governo é permitir que trabalhadores utilizem uma parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para liquidar débitos caros, como os de cartões de crédito e cheque especial. A proposta prevê a liberação de até 20% do saldo das contas individuais para quem recebe até cinco salários mínimos, público que representa a vasta maioria dos trabalhadores do país.

A equipe econômica estima que essa medida específica do FGTS possa movimentar cerca de R$ 7 bilhões, sendo desenhada de forma opcional e limitada para não prejudicar a saúde financeira do fundo. Além do saque direto, o governo estuda ajustes no saque-aniversário e no crédito consignado para ampliar as possibilidades de renegociação. Segundo Durigan, o cenário de alta dos juros registrado entre o final de 2024 e o decorrer de 2025 voltou a pressionar o orçamento de famílias e pequenas empresas, tornando necessária uma intervenção que estimule o que ele chama de “crédito sustentável”.

Para viabilizar essas negociações sem gerar gastos diretos aos cofres públicos, o governo pretende atuar como garantidor das novas operações. A ideia é induzir bancos e instituições financeiras a oferecerem descontos agressivos no saldo devedor e refinanciarem o restante com taxas de juros reduzidas. O Ministério da Fazenda trabalha com a expectativa de que os abatimentos nas dívidas possam chegar a 90%, beneficiando mais de 30 milhões de pessoas que hoje enfrentam dificuldades para manter as contas em dia.

O ministro reforçou que existe uma relação direta entre a taxa Selic e o nível de inadimplência nacional. Por isso, a nova estratégia utilizará o Fundo de Garantia de Operações (FGO) para cobrir eventuais faltas de pagamento nas renegociações, dando segurança aos bancos para reduzirem os juros. Com o novo desenho das medidas em fase final de calibração, o objetivo é repetir o fôlego dado à economia em programas anteriores, focando agora naqueles que possuem vínculo formal de emprego e saldo disponível no FGTS.

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