quinta, 2 de julho de 2026

Governo federal lança plano de R$ 144 milhões para levar atendimento médico à população de rua

O Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua. O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha na Casa de Oração do Povo da Rua, na região da Luz, no centro de São Paulo. A iniciativa visa expandir o número de equipes de atendimento e disponibilizar unidades móveis de saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de combater o preconceito contra pessoas pobres, o racismo e a homofobia nos postos de atendimento.

Com a nova medida, o Brasil passará a contar com 392 equipes de profissionais dedicadas exclusivamente a esse público, ampliando a estrutura que antes dependia quase que totalmente de contratações municipais. O projeto também inclui um programa de qualificação profissional gerido pelo governo federal e o repasse de 400 veículos adaptados, chamados de Unidades Móveis de Rua, para prefeituras e para o Distrito Federal. O investimento total é de R$ 144 milhões, com a meta de colocar todos os veículos em circulação até o próximo ano.

Essas unidades móveis funcionarão como postos de saúde sobre rodas, estruturadas para realizar exames de sangue, testes rápidos, consultas médicas, curativos e exames ginecológicos, levando a assistência diretamente aos locais onde essas pessoas vivem. O novo regulamento também proíbe que qualquer atendimento seja negado ou dificultado pela ausência de documentos, como o cartão do SUS ou comprovante de residência.

A mudança foi celebrada por ativistas e pessoas que conhecem de perto a realidade das ruas. Daiane Cristina Rodrigues, que passou a maior parte da vida desabrigada e hoje atua na Pastoral do Povo da Rua, relembrou as dificuldades enfrentadas no passado, quando o atendimento em hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBS) era frequentemente negado devido à burocracia ou à discriminação pela aparência. O padre Júlio Lancellotti também destacou o impacto positivo da medida, ressaltando que as vans adaptadas representam a chegada do cuidado e da saúde a locais que, muitas vezes, só recebem ações de repressão.

O plano foi desenhado em sete frentes de trabalho para garantir uma assistência completa. Além de focar na saúde da mulher, nos cuidados bucais e no acompanhamento de pacientes que recebem alta dos hospitais, a política estabelece que o campo “população em situação de rua” se torne obrigatório nos cadastros do SUS para gerar dados mais precisos. O programa ainda prevê ações integradas com outras áreas para garantir alimentação adequada aos assistidos e a criação de protocolos de urgência para proteger essas pessoas durante eventos climáticos extremos, como ondas de frio ou calor intensos.

Notícias relacionadas