

Os estudantes do último ano do Ensino Médio da rede pública estadual de São Paulo terão um compromisso importante ainda este mês. A Secretaria da Educação do Estado decidiu retomar a aplicação do tradicional Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) para a terceira série do Ensino Médio. O objetivo principal é medir o nível de conhecimento dos alunos em língua portuguesa e matemática antes que eles terminem a educação básica. A novidade vai funcionar de forma complementar ao Provão Paulista, exame que continua sendo a principal porta de entrada dos jovens para as universidades públicas paulistas.

A volta do Saresp para essa etapa de ensino resolve um problema técnico enfrentado pela gestão atual. Desde a criação do Provão Paulista, em 2023, o governo conseguiu abrir mais de 46 mil vagas em instituições de prestígio como USP, Unicamp e Unesp. No entanto, por ter o formato parecido com o de um vestibular tradicional, o Provão não permitia que a secretaria comparasse o desempenho atual dos alunos com o de anos anteriores. De acordo com o secretário da Educação, Renato Feder, o Saresp utiliza um modelo estatístico diferente que possibilita acompanhar de perto a evolução da aprendizagem ao longo do tempo.
Com a aplicação do teste no final de junho, o governo paulista pretende divulgar os resultados rapidamente, antes do início do segundo semestre letivo. O subsecretário pedagógico da instituição, Daniel Barros, explicou que a ideia é identificar as principais dificuldades dos estudantes para corrigi-las em sala de aula na reta final do ano letivo. Além disso, os dados vão ajudar a avaliar o impacto de mudanças recentes nas escolas estaduais, como a expansão do ensino técnico e as atualizações do Novo Ensino Médio, comparando o cenário atual com o panorama registrado em 2022.
A secretaria espera repetir no Ensino Médio os avanços recentes conquistados no Ensino Fundamental. Dados oficiais apontam que, no último ano, os alunos do segundo, quinto e nono anos registraram melhora significativa em matemática e português, superando inclusive os índices de antes da pandemia da Covid-19. O governo atribui essa evolução a uma série de medidas integradas, que incluem o uso de plataformas digitais de ensino, programas de monitoria e o aumento do tempo de permanência dos estudantes na escola. Outra vitória celebrada pela pasta foi o aumento da presença diária dos estudantes nas salas de aula, que atingiu o recorde histórico de 91,1%.
A avaliação prática para a terceira série já tem data marcada e vai funcionar também como um treinamento para os vestibulares de fim de ano. O teste contará com 48 questões de múltipla escolha divididas igualmente entre matemática e português. A prova será realizada em formato totalmente digital dentro do horário normal de aula de cada estudante. As escolas da rede estadual poderão utilizar o desempenho dos alunos nessa avaliação para ajudar a compor as notas do bimestre letivo. Vale destacar que, por ser um projeto piloto de transição, o resultado deste exame específico não terá impacto no cálculo de bônus financeiro para os professores e funcionários da educação.







