

O Estado de São Paulo deu um passo decisivo rumo à sustentabilidade ao anunciar a criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio). A iniciativa, revelada pelo governador Tarcísio de Freitas durante a Semana do Meio Ambiente nesta quarta-feira (10), tem como objetivo principal projetar e viabilizar a construção da primeira usina do Brasil capaz de capturar e armazenar o gás carbônico emitido durante a produção de etanol de cana-de-açúcar.

O projeto é fruto de uma parceria estratégica entre o governo estadual, a FAPESP, a Escola Politécnica da USP, a Petrobras e o setor privado. A tecnologia em foco, conhecida pela sigla BECCS, permite que o processo produtivo não apenas reduza emissões, mas se torne “carbono negativo”. Isso significa que, ao capturar o CO₂ liberado na fabricação do combustível e armazená-lo em formações geológicas profundas no subsolo, a indústria removeria ativamente mais carbono da atmosfera do que aquele emitido em todo o seu ciclo de vida.
O desafio central da equipe multidisciplinar, composta por engenheiros, geólogos, economistas e advogados, será transformar essa viabilidade técnica em um modelo econômico sustentável. Como o armazenamento de carbono não gera lucro imediato, o centro de pesquisa focará na criação de mecanismos de monetização, como a venda de créditos de carbono e novas políticas de incentivo. Além disso, os especialistas realizarão estudos geológicos rigorosos para identificar locais seguros para o armazenamento do gás, buscando reservatórios subterrâneos profundos que não interfiram em fontes de água potável.


O cronograma do CTCCSBio prevê um investimento de R$ 30 milhões ao longo de cinco anos. Nos dois primeiros anos, o trabalho será focado na prospecção de locais ideais e na análise detalhada de custos, infraestrutura e impactos sociais e ambientais. Na etapa seguinte, o projeto avançará para a implementação efetiva da planta. Embora o Brasil já possua uma unidade de captura voltada ao etanol de milho no Mato Grosso, a usina paulista será a pioneira mundial dedicada especificamente ao etanol de cana. Para o governo estadual, o avanço é essencial para garantir a competitividade internacional do agro paulista, alinhando o crescimento da produção às rigorosas metas climáticas globais para 2050.








