

O Governo do Estado de São Paulo apresentou um projeto ambicioso e inédito para enfrentar um dos maiores problemas ecológicos da atualidade: a poluição dos oceanos. Lançado durante os eventos do Dia Mundial do Meio Ambiente, o primeiro Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar define uma estratégia com metas claras e ações práticas que vão guiar os investimentos e a fiscalização na costa paulista ao longo da próxima década. O foco principal é criar barreiras para que o lixo urbano pare de chegar aos ecossistemas marinhos.

A necessidade de uma intervenção urgente foi comprovada por estudos científicos que ajudaram a embasar o documento. Levantamentos apontam que o lixo está presente em todas as praias brasileiras analisadas, e quase a totalidade desses resíduos é composta por plástico, principalmente materiais de uso único, como copos e sacolas descartáveis. A situação abaixo da superfície também é preocupante. Dados de monitoramento indicam que existem, em média, cerca de 599 objetos poluentes por quilômetro quadrado no fundo do mar em áreas de proteção ambiental paulistas, sendo que mais de 90% desse material é plástico.
Para mudar essa realidade, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística organizou o plano em 45 metas gerais. Desse total, treze pontos serão tratados como prioridades imediatas. Entre as primeiras medidas práticas estão a criação de zonas livres de plástico no comércio litorâneo, a ampliação da reciclagem e da coleta seletiva nas cidades de praia, a instalação de ecobarreiras em rios para reter os resíduos antes que cheguem ao oceano e a redução gradual da fabricação de itens descartáveis. Os cientistas também vão monitorar de perto os microplásticos na areia, que contaminam a fauna local.


A secretária estadual da pasta, Natalia Resende, destacou que o plano se diferencia por unir a ciência com as necessidades reais dos moradores e pescadores da região. Antes de ser fechado, o texto passou por consultas e audiências públicas que receberam quase duas centenas de sugestões de moradores, prefeituras, cientistas e empresários. Todo o trabalho foi desenvolvido de forma unificada por técnicos de diferentes órgãos estaduais, incluindo a Fundação Florestal e a Cetesb, que agora farão parte de um comitê permanente responsável por fiscalizar se as cidades estão cumprindo as metas de despoluição prometidas.







