

A desestatização da Sabesp e a assinatura de um novo contrato com o Governo de São Paulo permitiram o início de uma iniciativa inédita no estado: a realização de um censo rural focado em saneamento básico. Chamado de Programa Brotar, o projeto tem como meta mapear as condições de vida no campo para levar água tratada e esgoto a locais que historicamente nunca contaram com esses serviços essenciais. O levantamento de dados deve ser totalmente concluído até dezembro de 2026.

A execução do censo está sob a responsabilidade da Sabesp, que planeja mapear cerca de 820 mil residências e propriedades rurais espalhadas por 371 municípios paulistas. O trabalho começou a ser executado em abril de 2025 e já conseguiu registrar a situação de mais de 545 mil imóveis. Para que o diagnóstico seja preciso, uma equipe de 550 recenseadores percorre as estradas rurais aplicando questionários e coletando coordenadas geográficas para entender como funciona o abastecimento de água e o descarte de dejetos em cada propriedade.
Os dados coletados pelo Programa Brotar vão direcionar os futuros investimentos financeiros da companhia e ajudar na escolha das melhores tecnologias para cada região. Por causa da grande distância entre as casas, do relevo acidentado e das dificuldades de acesso, as áreas rurais não podem receber as redes de tubulações convencionais utilizadas nas cidades. Nos locais onde a extensão da rede tradicional for inviável, a Sabesp deverá instalar soluções individuais ou para pequenos grupos de moradores, como fossas sépticas, sistemas biodigestores ou miniestações de tratamento.


De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, o Brotar figura como um dos maiores programas de responsabilidade social já feitos no campo. A pasta defende que expandir o saneamento para essas comunidades é uma forma de garantir dignidade e desenvolvimento compatível com a realidade de quem vive fora dos centros urbanos. Essa ofensiva faz parte da meta do governo estadual de antecipar a universalização do saneamento para o ano de 2029 — quatro anos antes do prazo nacional estipulado pelo Marco Legal do Saneamento.
Para acelerar esse processo, a Sabesp aplicou R$ 15,2 bilhões em infraestrutura somente no ano de 2025, o que representa um salto de mais de 120% em comparação com os investimentos do ano anterior, período em que a empresa ainda era estatal. Além do censo no campo, o governo paulista lançou o projeto Na Rota da Água para acompanhar de perto mais de mil obras em andamento nas cidades, incluindo novas estações de tratamento já entregues na Grande São Paulo, que juntas somam investimentos de R$ 168 milhões e beneficiam cerca de 127 mil pessoas.







