

O Estado de São Paulo vem expandindo de forma expressiva suas ações de restauração florestal, alcançando a marca de mais de 41 mil hectares de áreas destinadas à recuperação ecológica. Esse território equivale a mais de 55 mil campos de futebol. O grande diferencial da estratégia atual é o foco na segurança da água: cerca de um quarto desse total, o que corresponde a 10 mil hectares, está localizado justamente em áreas de nascentes e margens de rios, ajudando a garantir o abastecimento da população.

Além do reflorestamento, o governo paulista converteu mais de 14 mil hectares em áreas de proteção ambiental. Um dos destaques é o Parque Estadual do Morro Grande, que resguarda as nascentes do rio Cotia, manancial responsável pelo fornecimento de água para cerca de 400 mil moradores da Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, a Semil, a presença de vegetação nativa nessas regiões funciona como uma esponja natural, pois retém a água da chuva, facilita a infiltração no solo, evita a evaporação excessiva e mantém os rios correndo com regularidade.
A distribuição dos projetos prioriza os locais que mais sofreram degradação ao longo dos anos. A região do Pontal do Paranapanema concentra a maior fatia das áreas em recuperação. Ao mesmo tempo, bacias estratégicas que abastecem milhões de pessoas, como os sistemas Cantareira e Guarapiranga, recebem atenção especial. Em Salesópolis, cidade que abriga as nascentes do rio Tietê, o esforço conjunto já resultou no plantio de mais de 74 mil mudas de árvores nativas em sete áreas diferentes, fortalecendo a proteção do rio mais famoso do estado desde a sua origem.


Para viabilizar financeiramente esse avanço, o estado conta com recursos públicos e privados. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos destinou quase R$ 46 milhões para projetos que abrangem estudos técnicos e recuperação de ecossistemas em 54 municípios. Na frente privada, o programa Finaclima capta investimentos corporativos e utiliza mecanismos como o Pagamento por Serviços Ambientais. Por meio desse sistema, produtores rurais do Cantareira podem receber incentivos financeiros de até R$ 9 mil por hectare ao cumprirem metas de reflorestamento em suas propriedades.
Autoridades ambientais reforçam que a iniciativa vai muito além do simples ato de plantar árvores, tratando-se de uma política pública integrada para devolver a saúde aos ecossistemas e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Como parte desse planejamento de longo prazo, o estado também mapeou as 43 bacias hidrográficas que mais necessitam de intervenções urgentes, criando manuais de conservação do solo para evitar o entupimento dos rios por terra e estruturando projetos que unem o desenvolvimento econômico à preservação da vida.







