

O Governo de São Paulo divulgou o resultado final dos participantes selecionados para o programa de Pagamento por Serviços Ambientais Araucária (PSA Araucária). A iniciativa inédita busca incentivar a restauração da floresta nativa, o uso sustentável da terra e o fortalecimento da cadeia produtiva do pinhão. O projeto-piloto acontece na cidade de Cunha, que é estrategicamente a maior produtora de pinhão do território paulista, concentrando mais de 95% de toda a semente coletada no estado.

Coordenado pela Fundação Florestal, órgão ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o chamamento público registrou uma alta adesão dos moradores da região. No balanço final das inscrições, a categoria de produtores rurais teve 50 cadastros aprovados e 11 rejeitados, enquanto a categoria voltada para organizações sem fins lucrativos teve duas propostas contempladas. Os motivos para as desclassificações incluíram a falta de documentos obrigatórios, restrições cadastrais, propriedades com histórico de infrações ambientais ou propostas financeiras que ultrapassavam o limite permitido no edital. Alguns dos produtores aprovados ainda precisam apresentar comprovantes bancários antes da assinatura definitiva do contrato.
O impacto financeiro e social promete movimentar a zona rural de Cunha, focando especialmente na agricultura familiar. O programa pagará até R$ 36 mil para cada produtor rural participante e até R$ 250 mil para as organizações que trabalham na conservação ambiental. O incentivo financeiro é justificado pelo tamanho do mercado local, uma vez que os produtores da região colheram mais de 1.100 toneladas de pinhão entre os anos de 2023 e 2025, com uma expectativa de colheita superior a 368 toneladas para este ano de 2026. A secretária da Semil, Natália Resende, ressaltou que o sucesso do edital demonstra ser viável unir a preservação da Mata Atlântica com a geração de renda e justiça climática para quem vive no campo.


A araucária, também conhecida como pinheiro-brasileiro, é uma espécie ameaçada de extinção que sofre com os efeitos das mudanças climáticas e com a derrubada ilegal. O projeto aposta na bioeconomia para reverter esse cenário, já que, ao contrário do corte da madeira, a retirada do pinhão pode ser feita de forma totalmente sustentável sem agredir a planta. Para receber as parcelas em dinheiro, os participantes se comprometem a cuidar das árvores que já existem, plantar novas mudas, recuperar Áreas de Preservação Permanente (APPs) e montar pomares.
Essa ação faz parte do Pró Araucária, um plano amplo lançado pela Fundação Florestal em 2025 que envolve desde a capacitação técnica para o manejo florestal até a educação ambiental e a inovação. A iniciativa se soma a outras conquistas recentes do estado, como a autorização pioneira para que a colheita do pinhão comece mais cedo no calendário, otimizando o trabalho dos produtores. Com a consolidação desse novo projeto, São Paulo reforça sua liderança no país em programas de incentivo financeiro para preservação, somando atualmente 61 grupos de pagamentos ambientais que beneficiam cerca de 1,4 mil famílias.









