

O governo de Santa Catarina decidiu acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A gestão estadual alega que o presidente fez declarações preconceituosas e ofensivas contra os moradores do estado durante um evento público realizado na cidade de Itajaí, no litoral catarinense, na última quinta-feira, dia 26 de junho. A ação judicial será apresentada oficialmente nesta segunda-feira, dia 29 de junho.

Para as autoridades catarinenses, Lula generalizou a população do estado ao associar a região ao racismo e ao citar o ditador nazista Adolf Hitler enquanto defendia a aplicação de políticas de cotas raciais. No discurso que gerou a polêmica, o presidente afirmou que o povo local não pode permitir que o racismo prevaleça e que as pessoas sejam tomadas por um sentimento de superioridade devido à riqueza do estado. Ele declarou que todos os brasileiros devem ser tratados de forma igualitária, rejeitando a ideia de que brancos sejam melhores que negros ou que nordestinos sejam inferiores a quem vive no Sul. Lula concluiu dizendo que Hitler tentou estabelecer algo parecido no passado e terminou de forma trágica, reforçando que o país não pode aceitar a ideia de uma supremacia branca.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, rebateu duramente as falas do presidente e afirmou que críticas políticas mútuas são normais e fazem parte da democracia, mas considerou intolerável rotular os catarinenses como preconceituosos. Mello classificou a fala de Lula como criminosa e afirmou que o chefe do Executivo federal precisa ser responsabilizado judicialmente por suas declarações. Como contra-argumento, o governo estadual destacou dados demográficos recentes, apontando que Santa Catarina foi a unidade da federação que mais acolheu migrantes vindos de outras regiões do Brasil ao longo dos últimos dez anos, o que, segundo a atual gestão, desmente qualquer acusação de preconceito ou aversão generalizada a outras culturas dentro do estado.










