quinta, 5 de fevereiro de 2026

Gesto de solidariedade: doação de órgãos de jovem de Santa Fé do Sul salva vidas

O Hospital de Base de São José do Rio Preto realizou, nesta terça-feira (27), uma importante operação de captação de órgãos que renovou a esperança de diversos pacientes na fila de transplante. O doador foi Mayquel São Marco Donadi, de 27 anos, que faleceu após um acidente em Santa Fé do Sul. Graças à decisão da família, foram captados fígado, rins, córneas e o coração. Este último foi transportado por uma aeronave do projeto Transplantar para outra cidade do interior paulista, marcando a terceira captação de coração feita pela instituição apenas no início deste ano de 2026.

O médico nefrologista João Fernando Picollo de Oliveira, que coordena a Organização de Procura de Órgãos (OPO) do hospital, destacou o altruísmo dos familiares, que mesmo em um momento de perda profunda, escolheram ajudar outras pessoas. Esse tipo de atitude tem se tornado uma marca da região noroeste paulista, que apresenta um dos maiores índices de aceitação para doação de órgãos do Brasil. No último ano, cerca de 75% das famílias consultadas pela equipe médica autorizaram o procedimento, um número muito acima da média nacional e que consolida Rio Preto como uma referência no setor.

O sucesso desse trabalho é fruto de mais de dez anos de investimentos na capacitação de centenas de profissionais de saúde em mais de 140 municípios. Para que um transplante ocorra, é necessária uma força-tarefa que envolve desde equipes de apoio psicológico às famílias até uma logística complexa com o uso de jatos e apoio de forças de segurança. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, um único doador falecido pode salvar até oito vidas com órgãos vitais e beneficiar mais de 50 pessoas com a doação de tecidos.

Atualmente, o Hospital de Base mantém uma equipe especializada disponível 24 horas por dia para acolher famílias e organizar os processos de captação. A região Noroeste paulista registra hoje um índice de 46 doadores por milhão de habitantes, o dobro da média estadual e nacional. Para os especialistas, esses números refletem uma mudança cultural na sociedade local, que passa a enxergar a doação como um ato de transformação, transformando a dor da despedida em uma nova chance de vida para quem espera por um transplante.

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