

Três servidores da Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro) tornaram-se réus na ação penal que investiga o ataque hacker que tirou do ar os sistemas da Prefeitura de São José do Rio Preto em junho do ano passado. Em decisão publicada nesta sexta-feira, dia 3 de julho, a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público, ordenou que os acusados apresentem suas defesas e decretou o bloqueio imediato de bens e contas bancárias dos envolvidos. O processo corre em segredo de Justiça e, atualmente, dois dos três funcionários estão afastados de suas funções, enquanto todos respondem a uma investigação interna da própria empresa.

Os servidores vão responder judicialmente pelos crimes de associação criminosa, invasão de dispositivo informático e inserção de dados falsos em sistema de informações. Ao aceitar o caso, o juiz responsável destacou que as provas reunidas pela polícia mostram indícios consistentes de crimes que geraram prejuízos severos para a administração pública. A pedido da Promotoria, a decisão também determinou o congelamento de dinheiro em contas, o bloqueio de veículos e a restrição de propriedades, medidas que também atingem empresas privadas que estariam ligadas aos acusados. Diante da gravidade, o magistrado ordenou a abertura de uma nova investigação policial para apurar outros possíveis delitos e o envio de cópias do processo para avaliar se houve improbidade administrativa.
As investigações do Ministério Público apontam que o crime não foi cometido por invasores de fora, mas sim por meio de um ataque cibernético interno planejado para fingir que a ação era externa. O grupo teria usado ferramentas do próprio sistema da Empro para camuflar o crime, bloqueando e criptografando dados de milhares de computadores e servidores ao mesmo tempo. A apuração indica que os servidores usaram o acesso privilegiado que tinham à rede pública para favorecer negócios privados. O ataque, ocorrido em junho de 2025, deixou os serviços municipais paralisados por cerca de seis dias, afetando diretamente linhas telefônicas de emergência como as do Samu e da Guarda Civil Municipal, além de travar toda a rotina administrativa da prefeitura.









