


O líder religioso Frei Gilson, conhecido por sua enorme influência digital, tornou-se alvo de uma denúncia formal no Ministério Público de São Paulo. A acusação foi protocolada pelo ex-seminarista e escritor Brendo Silva, autor de uma obra sobre a vida de padres homossexuais. Segundo o denunciante, o frei teria cometido o crime de homofobia ao utilizar suas transmissões na internet para disseminar falas que incentivam o preconceito contra a comunidade LGBTQIA+.

Para sustentar a denúncia, foram entregues vídeos e áudios de pregações em que o religioso utiliza termos considerados discriminatórios e associa a orientação sexual a “doenças” ou “desvios”. Entre os trechos destacados no processo, o frei aparece afirmando que relações entre pessoas do mesmo sexo não são aprovadas pela Bíblia e que as regras das igrejas sobre o tema devem ser seguidas sem questionamentos. Brendo Silva argumenta que tais discursos não podem ser vistos como naturais, especialmente em um país que registra altos índices de violência contra mulheres e pessoas LGBT.
O Ministério Público agora tem a tarefa de analisar se o conteúdo das homilias e entrevistas do frei ultrapassou os limites da liberdade religiosa e violou as leis brasileiras. Vale lembrar que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a homofobia e a transfobia devem ser punidas como crimes de racismo. O material anexado será periciado para que os promotores decidam se existe base legal para a abertura de um inquérito policial.










Frei Gilson é uma das figuras católicas mais populares da internet brasileira, somando quase 13 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 10 milhões no YouTube. O alcance de suas mensagens torna o caso ainda mais sensível para os investigadores. Até o fechamento desta reportagem, a equipe de defesa do religioso não havia emitido nenhum comunicado oficial sobre as acusações apresentadas ao órgão público.
























