sábado, 25 de julho de 2026

França e Inglaterra disputam terceiro lugar em duelo de seleções que encantaram o mundo sem a taça

A disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026 reserva um duelo de gigantes neste sábado (18), às 18h (horário de Brasília), em Miami, nos Estados Unidos. Para a França, o confronto diante da Inglaterra vale mais do que uma medalha de bronze: é a oportunidade de consolidar esta geração no seleto grupo de equipes históricas que, mesmo sem erguer o troféu, marcaram época pelo futebol vistoso. Favoritos destacados antes da eliminação para a Espanha na semifinal, os franceses buscam fechar de forma honrosa uma campanha estatisticamente avassaladora.

Os números do elenco comandado por Didier Deschamps impressionam. A França chega para a despedida com o segundo melhor ataque do torneio, somando 16 gols em sete jogos, e lidera os índices de finalizações, tendo obrigado os goleiros adversários a trabalhar em 50 oportunidades. Até o tropeço na semifinal, os franceses ostentavam o mérito de terem vencido todos os seus compromissos no tempo regulamentar. Individualmente, o astro Kylian Mbappé lidera a artilharia da competição ao lado de Lionel Messi, com oito gols cada. Mbappé tenta quebrar um jejum que dura desde 1970, quando o alemão Gerd Müller se tornou o último atleta a balançar as redes mais de oito vezes em uma única edição de Mundial. Além disso, o camisa 10 francês persegue Messi na lista de maiores goleadores da história das Copas.

O encanto dessa seleção francesa passa por um trio ofensivo considerado explosivo. Ao lado do talento de Mbappé, o ataque conta com Ousmane Dembélé, eleito o melhor jogador do mundo no último ano com os prêmios Bola de Ouro e The Best da Fifa, e a revelação Michael Olise, que assumiu a função de maestro com assistências geniais. O brilho dos três atacantes garantiu goleadas e lances plásticos ao longo do torneio. Ainda assim, o destino reservou uma ironia para o atual ciclo francês: após disputar as últimas duas finais do mundo, garantindo um título e um vice, a badalada versão de 2026 terminará, na melhor das hipóteses, na terceira posição da tabela.

A trajetória da França reacende o debate sobre os times inesquecíveis que ficaram pelo caminho no futebol. O conceito foi inaugurado pela Hungria de 1954, liderada por Ferenc Puskás, que assombrou o planeta ao marcar 27 gols em apenas cinco partidas, incluindo uma goleada por 8 a 3 sobre a Alemanha Ocidental na fase de grupos, antes de sofrer uma virada surpreendente para os próprios alemães na grande final. Duas décadas depois, em 1974, o “Carrossel Holandês” de Johan Cruijff e do técnico Rinus Michels revolucionou o esporte com um sistema tático sem posições fixas, mas também acabou amargando o vice-campeonato diante da dona da casa, a Alemanha Ocidental.

O Brasil também teve o seu capítulo nessa galeria de times lendários que não venceram. Em 1982, a seleção brasileira comandada por Telê Santana uniu craques como Zico, Sócrates, Falcão e Júnior em uma equipe que proporcionava verdadeiros espetáculos artísticos em campo. Apesar de favorita, a equipe canarinho acabou eliminada pela Itália na histórica “Tragédia do Sarriá” por 3 a 2. Mesmo se despedindo antes das semifinais, o Brasil terminou aquele torneio com o melhor ataque da competição, provando que, às vezes, a memória afetiva do torcedor ignora o resultado final e consagra quem melhor tratou a bola.

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