domingo, 6 de setembro de 2026

Fome no mundo recua pelo terceiro ano consecutivo, mas atinge 645 milhões de pessoas

A população global em situação de fome apresentou queda pelo terceiro ano seguido e fechou 2025 com 645 milhões de pessoas atingidas, o que representa uma redução de quase 14 milhões de famintos em relação ao ano anterior. Os dados integram o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026”, elaborado por cinco agências internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), apresentado durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da entidade, em Roma.

O levantamento aponta que a fome afetou 7,8% da população mundial em 2025, dando continuidade a uma trajetória de declínio nos índices globais. A insegurança alimentar moderada ou severa — condição em que o indivíduo consome alimentos em quantidade insuficiente ou com baixa qualidade nutricional — também caiu, alcançando 25,8% da população do planeta, o equivalente a 2,1 bilhões de pessoas. Apesar da melhora constante nos últimos anos, os indicadores gerais ainda permanecem acima dos patamares observados no período que antecedeu a pandemia.

A recuperação no acesso aos alimentos ocorre de forma bastante desigual entre os continentes. Enquanto regiões da Ásia, América Latina e Caribe registram progressos graduais, a África lidera o ranking absoluto da fome global, afetando um em cada cinco habitantes do continente, totalizando 309 milhões de pessoas. Em termos de segurança alimentar, mais da metade dos moradores do continente africano enfrentavam restrições moderadas ou graves no acesso a refeições diárias em 2025, percentual expressivamente superior ao das demais regiões do globo.

Outro alerta urgente trazido pelas organizações internacionais refere-se ao custo da alimentação de qualidade e ao ritmo lento na melhoria da nutrição infantil e materna. O valor médio para garantir uma dieta saudável subiu para 4,28 dólares diários por pessoa em paridade de poder de compra, registrando o valor mais elevado na América Latina e Caribe. Diante de gargalos estruturais na agricultura, do avanço do excesso de peso em adultos e dos riscos de novos eventos climáticos extremos e conflitos geopolíticos, autoridades destacam a necessidade de investimentos contínuos na infraestrutura agrícola, combate à desigualdade de renda e coordenação de políticas públicas globais.

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