terça, 6 de outubro de 2026

Fila para transplantes de córnea cresce 15% em seis meses no Brasil e atinge marca histórica

A lista de espera por um transplante de córnea no Brasil alcançou a marca de 37.719 pacientes, registrando um crescimento de 15% em relação a dezembro do ano passado, quando somava 32.639 pessoas. Os dados foram divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador. O aumento na fila ocorre no mesmo período em que o país atinge um recorde histórico na realização dessas cirurgias, que somaram 17.790 procedimentos no último ano.

O crescimento no tempo de espera, que hoje chega a uma média nacional de 370 dias, revela um descompasso provocado pelo ritmo acelerado de novas indicações médicas e pelo represamento de cirurgias durante os anos críticos da pandemia. Além disso, as instituições de saúde e os bancos de olhos enfrentam dificuldades financeiras devido à defasagem no valor dos repasses públicos e ao alto custo dos insumos e testes de qualidade cobrados pela legislação, que são cotados em dólar e oneram a captação de órgãos.

O desempenho do sistema de saúde varia consideravelmente entre os estados. Enquanto o Ceará e o Mato Grosso apresentam altos índices de rotatividade e mantêm filas reduzidas com menos de uma centena de pacientes, grandes centros como São Paulo e Minas Gerais acumulam milhares de pessoas à espera do procedimento. No Rio de Janeiro, o desequilíbrio entre o baixo número de cirurgias executadas e o alto volume de novos diagnósticos gerou um passivo superior a 4,7 mil pacientes. Nas regiões mais remotas do país, como em Roraima e no Amapá, não houve registro de transplantes de córnea realizados no ano passado.

O perfil dos pacientes aguardando a cirurgia no país é composto predominantemente por mulheres, que representam 56% do total, e por idosos com 65 anos ou mais, grupo que soma quase metade das solicitações devido ao avanço de doenças degenerativas oculares. O levantamento também alerta para a fila na faixa infantojuvenil, que reúne mais de 750 crianças e adolescentes à espera de um doador. Apesar do gargalo operacional, o conselho destaca que o modelo brasileiro de transplantes de córnea continua sendo referência na América Latina e mantém indicadores de eficiência comparáveis aos de nações desenvolvidas.

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