

A Prefeitura de Fernandópolis instituiu uma Comissão Única, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Educação, com o objetivo de formular o novo Plano Municipal de Educação (PME). O documento será responsável por traçar os rumos, diretrizes e metas para o ensino da rede pública municipal ao longo da próxima década. Em paralelo, a administração municipal também oficializou o Fórum Municipal de Educação, que funcionará como um canal contínuo e aberto para debater e fiscalizar as ações na área, unindo profissionais, famílias e diversas entidades locais nas decisões pedagógicas.

Em entrevista explicativa ao site CIDADÃOnet sobre os desafios da pasta, a secretária municipal de Educação, Rose Carósio, garantiu que a transparência e a gestão aberta serão as marcas desse processo. Segundo a titular, a atual gestão tem o compromisso de não tomar decisões de gabinete ou a portas fechadas. Por esse motivo, a elaboração do projeto contará com a presença direta do Conselho Municipal de Educação desde os primeiros rascunhos. O Fórum Municipal reunirá representantes de sete secretarias municipais e contará também com membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sindicatos, universidades, além das polícias Civil e Militar.
Ao fazer um balanço do plano que vigorou no decênio anterior, de 2015 a 2024, a secretária ponderou que o município teve sucesso em universalizar o ensino fundamental e a pré-escola. No entanto, ela apontou gargalos significativos herdados de gestões passadas, como o descumprimento de metas de aprendizagem na alfabetização, o não alcance das médias projetadas para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o avanço tímido da educação em tempo integral. A pandemia da Covid-19 e a evasão escolar foram apontadas como complicadores mundiais e nacionais que frearam esses avanços.


Para reverter esse cenário a partir de 2025, o município implementou uma reestruturação para ampliar o ensino em tempo integral. A iniciativa transformou 11 escolas infantis para este modelo de atendimento, substituindo o formato de recreação antigo por aulas conduzidas por professores com foco no enriquecimento curricular. Com relação ao futuro, a secretária listou quatro pilares emergenciais que vão conduzir o novo PME: alfabetização na idade certa, atendimento às creches, inclusão de alunos especiais e sustentabilidade do orçamento.
Na frente da alfabetização, a estratégia consiste em garantir que todas as crianças saibam ler e escrever plenamente até o término do segundo ano do ensino fundamental. Para isso, haverá a aplicação de exames diagnósticos frequentes, reforço escolar individualizado e o amparo de equipes multidisciplinares compostas por psicólogos, psicopedagogos e assistentes sociais para identificar e tratar dificuldades de aprendizagem precocemente. Na educação infantil, embora a pré-escola atenda 100% da demanda, a carência em creches para bebês de zero a três anos ainda é um desafio. O município pretende sanar esse deficit realizando um mapeamento detalhado junto com a Secretaria de Saúde para planejar a abertura programada de novas salas de berçário nas regiões mais vulneráveis.
O acolhimento de alunos com necessidades especiais também ganhará destaque com a ampliação das Salas de Recursos Multifuncionais, uma vez que a demanda por atendimento inclusivo cresce a cada ano. O plano prevê investimentos em acessibilidade nas escolas e o desafio de fixar profissionais de apoio e cuidadores, reduzindo a rotatividade e a falta de candidatos que o município enfrenta atualmente. Toda essa engrenagem exigirá estudos de impacto financeiro complexos. Embora Fernandópolis dependa de verbas vinculadas da União e do Estado, como o Fundeb, o Salário-Educação e os repasses da merenda escolar, a prefeitura pretende calibrar as novas metas com responsabilidade fiscal, assegurando que o texto final seja exequível e mude para melhor a realidade das salas de aula.







