

Um encontro inesperado marcou o início da sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (29). O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, um dos principais nomes da oposição ao governo, cumprimentou de forma bastante cordial o atual advogado-geral da União, indicado pelo presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A cena chamou a atenção de quem acompanhava a sessão, mas foi rapidamente explicada pelo parlamentar, que revelou existir um laço pessoal entre os dois que vai muito além das disputas políticas em Brasília.

O deputado explicou que, apesar de estarem em campos opostos no Congresso, ele e Messias compartilham a mesma fé e se consideram “irmãos de igreja”. Ambos são evangélicos, e essa conexão religiosa pesou no tom respeitoso adotado durante o encontro. Jorge Messias, inclusive, mencionou que se preparou espiritualmente para este dia decisivo com momentos de jejum e oração, buscando serenidade para enfrentar o interrogatório dos senadores antes da votação que pode levá-lo à mais alta corte do país.
Embora o clima tenha sido de gentileza, Sóstenes Cavalcante ponderou que Messias ainda deve enfrentar resistências e dificuldades para conseguir a aprovação final. Por outro lado, a base de apoio do governo federal enxerga a religiosidade do indicado como um trunfo estratégico. Os governistas acreditam que o perfil cristão de Messias pode ajudar a quebrar o gelo com parlamentares conservadores da oposição, facilitando a conquista dos votos necessários tanto na comissão quanto no plenário.
A sabatina, que começou logo cedo, é o primeiro grande teste para o advogado-geral. Caso o nome de Messias receba o aval dos membros da CCJ, o processo segue imediatamente para o Plenário do Senado. Lá, os 81 senadores darão a palavra final, decidindo se ele ocupará ou não a cadeira de ministro do STF, em uma votação que promete mobilizar tanto as bancadas religiosas quanto as políticas ao longo de todo o dia.







