

A morte de uma moradora de 41 anos em Nova Granada, no interior paulista, virou caso de polícia e gerou forte revolta entre os familiares. A operadora Viviane Vieira de Oliveira faleceu na última segunda-feira, dia 8 de junho de 2026, dentro de uma ambulância, após buscar socorro duas vezes no Pronto Atendimento do município em um intervalo de 48 horas e ser mandada de volta para casa. A família acusa a equipe de saúde de negligência médica por não ter transferido a paciente para um hospital de alta complexidade na região.
Os problemas de saúde de Viviane começaram ainda no sábado, dia 6 de junho, quando ela deu entrada na unidade apresentando um quadro agudo de palidez, suor frio, diarreia severa e dores intensas que se espalhavam pelo estômago, abdômen e peito. Em entrevista, a irmã da vítima, Aline Vieira de Oliveira, relatou que o sofrimento era tão grande que as dores irradiavam para as costas de Viviane, fazendo com que ela perdesse temporariamente o movimento das pernas. Segundo a irmã, os profissionais da unidade trataram o caso como se fosse apenas uma dor muscular corriqueira, realizaram um eletrocardiograma simples e deram alta médica, ignorando os sinais de que ela precisava de uma vaga de transferência para São José do Rio Preto.
Na manhã de segunda-feira, o quadro clínico se repetiu e Viviane retornou ao Pronto Atendimento com os mesmos sintomas graves. Mais uma vez, ela recebeu medicação e foi liberada para retornar à sua residência. Horas mais tarde, já no período da tarde, o estado de saúde da mulher desandou criticamente. Diante da demora no atendimento telefônico da ambulância local e do Samu, os parentes decidiram colocá-la em um carro particular para correr até o hospital, conseguindo interceptar uma ambulância no meio do trajeto. Viviane, que era hipertensa mas não tinha histórico de problemas no coração, desmaiou e acabou falecendo a caminho do hospital.


Por outro lado, a equipe do Pronto Atendimento defende que agiu dentro das normas. A enfermeira responsável pela unidade, Érica Magnani, assegurou que todos os exames iniciais foram feitos e que a possibilidade de um infarto ou complicação cardíaca aguda foi formalmente descartada, inclusive após uma avaliação com o médico cardiologista de plantão. A profissional explicou que a transferência para outra cidade só acontece por ordem médica e que, como o doutor não viu necessidade, a paciente não foi encaminhada. Ela completou dizendo que os funcionários tentaram reanimar Viviane com manobras de ressuscitação quando ela chegou de tarde, mas a parada cardiorrespiratória foi fatal.
A Polícia Civil registrou o caso e abriu um inquérito para investigar a morte como homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, focando na apuração de uma possível omissão de socorro. Para complicar o cenário na saúde do município, um idoso de 88 anos também faleceu na mesma segunda-feira em circunstâncias parecidas, após cair, receber alta do mesmo Pronto Atendimento e morrer poucas horas depois em casa. Em nota oficial, a Prefeitura de Nova Granada se limitou a informar que os prontuários médicos de ambos os pacientes provam que todos os atendimentos seguiram rigorosamente os protocolos de assistência estabelecidos para os plantões.







