

A família de Esther Aparecida Ramos De Oliveira Santos, de 32 anos, está denunciando a rede pública de saúde de Araçatuba, no interior de São Paulo, por suspeita de negligência médica. A dona de casa morreu em sua residência no dia 9 de julho, deixando dois filhos — um menino de três anos e uma bebê de apenas quatro meses. A revolta dos familiares aumentou após perceberem que, nos dias que antecederam o óbito, Esther passou por atendimento médico em unidades de saúde do município por oito vezes, relatando sintomas graves que foram minimizados pelos profissionais de saúde.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo irmão da paciente nesta terça-feira (14), a saga de Esther em busca de ajuda começou no dia 25 de junho, quando ela deu entrada no Pronto-Socorro Municipal com sintomas de gripe e pneumonia. Ela fez um exame de raio-X e foi liberada para tomar remédios em casa. Três dias depois, como não apresentava melhora e começou a sentir falta de ar, dor no peito e formigamento no braço, ela retornou ao pronto-socorro. Na ocasião, os médicos notaram que seu coração estava acelerado e que suas taxas de diabetes estavam alteradas, mas apenas trocaram a receita e a mandaram de volta para casa.
Nos dias seguintes, Esther continuou piorando e peregrinando por postos de saúde. Em uma das consultas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro São José, os profissionais constataram que a situação dela era grave e mandaram que ela corresse de volta para o pronto-socorro. Contudo, ao chegar lá, ela era constantemente liberada. Em um dos episódios mais alarmantes, no dia 2 de julho, Esther precisou ser socorrida de ambulância pelo Samu após sentir fortes dores no peito e perto das costelas. No pronto-socorro, o médico de plantão olhou os exames antigos e afirmou que ela não tinha pneumonia grave, sugerindo que os sintomas físicos, na verdade, eram fruto de uma crise de ansiedade. Ele também suspeitou de pedra na vesícula e mandou que ela pagasse por uma ultrassonografia em uma clínica particular. Mesmo após Esther fazer o exame particular e levá-lo de volta, o médico insistiu que o problema era apenas ansiedade e lhe deu alta.


A situação continuou se arrastando com idas e vindas de postos de saúde, onde Esther recebia soro e inalação. No dia 6 de julho, após ser mandada embora de manhã por falta de vagas na UBS, ela retornou à tarde e os médicos suspeitaram de uma embolia pulmonar — que é o entupimento de uma artéria do pulmão por um coágulo —, solicitando sua transferência urgente para o pronto-socorro. Mesmo chegando ao local com falta de ar, dor no peito e no braço, Esther recebeu uma nova alta médica. Três dias depois, ela faleceu em sua própria casa. O atestado de óbito da jovem mãe aponta causa da morte como indeterminada.
A Polícia Civil de Araçatuba abriu um inquérito para investigar o caso e apurar as responsabilidades pela morte. Em nota, a Prefeitura de Araçatuba lamentou profundamente o falecimento de Esther e informou que já solicitou à Associação Filantrópica Nova Esperança, que administra o Pronto-Socorro Municipal, todos os prontuários e informações sobre os atendimentos prestados à paciente. Além disso, o município garantiu que o caso será submetido a uma análise técnica detalhada pelo Comitê de Mortalidade Municipal para esclarecer o que de fato aconteceu.








